Valores séricos de vitamina a e teste terapêutico em pré-escolares atendidos em uma unidade de saúde do Rio de Janeiro, Brasil

Autores

  • Rejane Andréa RAMALHO Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Luiz Antonio dos ANJOS Universidade Federal Fluminense
  • Hernando FLORES Universidade Federal de Pernambuco

Palavras-chave:

deficiência de vitamina A, pré-escolar, suplementação alimentar, criança

Resumo

Foi avaliado o impacto da suplementação com doses maciças de vitamina A (200.000 UI) em pré-escolares atendidos em unidade de saúde do Rio de Janeiro. Inicialmente avaliou-se o nível de retinol sérico e as medidas antropométricas em 175 pré-escolares atendidos pelo Serviço Materno-infantil da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Forneceu-se, então, uma dose maciça de 200.000 UI de vitamina A solicitando o retorno após 30 dias. Nas crianças que retornaram após este período (n=99), refez-se a avaliação de retinol sérico. A prevalência de hipovitaminose A (< 1,05 μmol/L) foi de 34,3% em todas as crianças avaliadas na primeira visita. Após a administração do suplemento vitamínico, a prevalência de hipovitaminose A nas crianças que voltaram ao serviço reduziu de 42,4 % para 3,0%. A dose maciça beneficiou preferencialmente as crianças com níveis inadequados. Na amostra, apenas 4,6% das crianças apresentavam desnutrição avaliada por medidas antropométricas. Não houve associação entre hipovitaminose A e renda familiar ou escolaridade dos pais. As taxas de prevalência encontradas indicaram que as crianças desta faixa etária são um grupo de risco para este problema nutricional. A reversão do quadro de carência provocada pelo suplemento vitamínico parece indicar que a ingestão inadequada de alimentos fonte de vitamina A seja um importante fator etiológico da hipovitaminose A. A prevalência encontrada também demonstrou que o problema não é exclusivo das áreas tradicionalmente pobres do país.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ARAÚJO, C.R.C., FLORES, H. Improved spectrophotometric vitamin A assay. Chemical Chemistry, Washington DC, v.24, n.2, p.386, 1978.

ARAÚJO, R.L., ARAÚJO, M.B.D.G., MACHADO, R.D.P., BRAGA, A.A., LEITE, B.V., OLIVEIRA, J.R. Evaluation of a program to overcome vitamin A and iron deficiencies in areas of poverty in Minas Gerais, Brazil. Archivos Latinoamericanos de Nutrición, Guatemala, v.37, n.1, p.9-22, 1987.

ASSIS, A.M.O., PRADO, M.S., FREITAS, M.C.S., CRUZ, M.M.. Deficiência de vitamina A e desnutrição energético-protéica em crianças da localidade do Semi-Árido Baiano. Revista de Nutrição da PUCCAMP, Campinas, v.10, n.1, p.70-78, 1997.

BATES, C.J. Vitamin A. Lancet, London, v.345, n.8941, p.31-35, 1995.

BEATON, G.H., MARTORELL, R., L’ABBÉ, K.A., EDMONSTON, B., McCABE, G., ROSS, A.C., HARVEY, B. Efectividade de la suplementación con vitamina A em el control de la morbi-mortalidade da los niños em paises en desarrollo. Arlington, Virginia : USAID, 1993. p.14-21 (Vitamin A Field Support Project (VITAL): Informe IN-14).

BRUNKEN, G.S., FLORES, H. Consumption of vitamin A rich foods. Xerophtalmia Club Bulletin, London, v.54, p.3-4, 1993.

CAMPOS, F.A.C.S., FLORES, H., UNDERQOOD, B.A. Effect of an infection on vitamin A status of children as mensured by the Relatine Dose response (RDR). American Journal of Clinical Nutrition, Bethesda, v.46, n.1, p.91-94, 1987.

CARVALHO, C.M.G., FARFAN, B.C.W., VENCONSKY, R. Prevalência de hipovitaminose A em crianças da periferia do Município de São Paulo, Brazil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.11, n.1, p.85-96, 1995.

COELHO, C.S.P., RAMALHO, R.A., ACCIOLY, E. O inquérito dietético na avaliação do estado nutricional de vitamina A em gestantes. Clínica Médica, Rio de Janeiro, v.6, n.28, p.44-60, 1995.

FAVARO, R.M.D., SOUZA, N.V., BATISTAL, S.M., FERRIANI, M.G.C., DESAI, I.D., DUTRA DE OLIVEIRA, J.E. Vitamin A status of young children in Southern Brazil. American Journal of Clinical Nutrition, Bethesda, v.43, n.5, p.852-858, 1986.

FAWZI, W.W., CHALMERS, T.C., HERRERA, M.G., MOSTELLER, F..Vitamin A supplementation and child mortality: a meta-analisis. Journal of the American Medical Association, Chicago, v.269, n.7, p.898-903, 1993.

FLORES, H., AZEVEDO, M.N.A., CAMPOS, F.A.C.S., BARRETO-LINS, M.H.C., CAVALCANTI, A.A., SALZANO, A., VARELA, R.M., UNDERWOOD, B.A. A Serum vitamin A distribution curve for children aged 2-6 known to have adequate vitamin A status: a reference population. American Journal of Clinical Nutrition, Bethesda, v.54, n.4, p.701-711, 1991.

FLORES, H. Frequency distribution of serum vitamin A levels in cross-sectional survey and in surveys before and after vitamin A supplementation. In: BRIEF Guide to Current Methods of Assessment of Vitamin A Status. Washington DC : The Nutrition Foundation, 1993. p.9-11 (International Vitamin A Consultative Group (IVAG), n.93-079228).

JOINT WORKING GROUP OF THE CANADIAN PAEDIATRIC SOCIETY AND HEALTH CANADA. Nutrition recommendation update: dietary fats and children. Nutrition Reviews, Lawrence, v.53, n.12, p.367-375, 1995.

KAFWEMBE, E.M., SUKW, T.Y., MANYANDO, C., MWANDU, D., CHIPIPA, J., CHIPAILA, P. The Vitamin A status of Zambia chlidren attending an under five clinic as evaluated by the Modified Relative Dose Response (MRDR) test. International Journal for Vitamin and Nutrition Research, Geneve, v.66, n.3, p.190-196, 1996.

LOHMAN, T.G., ROCHE, A.F., MARTORELL, R. Anthropometric standardization reference manual. Champaign, Illinois : Human Kinetics Books, 1988.

McAULIFFE, J., SANTOS, L.M., DINIZ, A.S., BATISTA-FILHO, M., BARBOSA, R.C.C. A deficiência de vitamina A e estratégias para o seu controle: um guia para as Secretarias Municipais de Saúde. Fortaleza : Project HOPE, 1991. 29p.

MORA, O.J. Situação actual de la deficiencia de vitamina A en America Latina y el Caribe. Arlington, Virginia : USAID, 1993. p. 41-44. (Vitamin A Field Support Project (VITAL), Iinforme IN-14).

NILSSON, A. Fortificação de alimentos com micronutrientes. Arlington, Virginia : USAID, 1993. p.93-96. (Vitamin A Field Support Project (VITAL), IN-14).

ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. Medición del cambio del estado nutricional. Genebra, 1983. 105p.

RAMALHO, R.A., ANJOS, L.A., FLORES, H. Hipovitaminose A em recém-nascidos em duas maternidades públicas no Rio de Janeiro, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.14, n.4, p.821-827, 1998.

RONCADA, M.J., WILSON, D., MAZZILLI, R.N., GANDRA, Y.R. Hipovitaminose A em comunidades do Estado de São Paulo, Brasil. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v.15, n.3, p.338-349, 1981.

RONCADA, M.J., WILSON, D., OKANI, E.T., AMINOS, S. Prevalência da hipovitaminose A em pré-escolares do município de área metropolitana de São Paulo. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v.18, n.3, p.218-224, 1984.

SINHA, D.P., BANG, F.B. Effect of massive doses of vitamin A on vitamin A deficiency in preschool children. American Journal of Clinical Nutrition, Bethesda, v.29, n.1, p.110-115, 1976.

SOMMER, A., TARWOTJO, I., MELE, L., DJUNAEDI, E., WEST, K.P., LOEDEN, A., TILDEN, R. Impact of supplementation on childhood mortality: a randomized controlled community trial. Lancet, London, v.1, n.8491, p.1169-1173, 1986.

SOMMER, A., TARWOTJO, I., KATZ, J. Incresaed risk of xerophthalmia following diarrhea and respiratory disease comparison to rat tissue retinol binding protein. American Journal of Clinical Nutrition, Bethesda, v.45, n.5, p.977-980, 1987.

SOMMER, A. New imperatives for an old vitamin (A). Journal of Nutrition, Bethesda, v.119, n.1, p.96-100, 1989.

SOMMER, A. Vitamin A deficiency and its consequences: a field guide to detection and control: Epidemiology. 3.ed. Geneva: World Health Organization, 1995. 65p.

TANUMIHARDJO, A.S., CHENG, J.C., MUHILAL, A., KARYADI D., OLSON, J.A. Refinement of the modified relative-dose-response test as a method for assessing vitamin A in field setting: experience with Indonisean children. American Journal of Clinical Nutrition, Bethesda, v.64, n.6, p.966-971, 1996.

UNDERWOOD, B.A. Estrategias a largo plazo para el control de las deficiencias de micronutrientes. Arlington, Virginia : USAID, 1993. p.70-76. (Vitamin A Field Support Project (VITAL), IN-14).

WEST, K.P., KATZ, J., SHRESTHA, S.R., LECLERQ, S.C., KHATRY, S.K., PRADHAN, E.K. Mortality of infant < 6 mo of age supplemented with vitamin A: a randomized, double-masked trial in Nepal. American Journal of Clinical Nutrition, Bethesda, v.62, n.1, p.143-148, 1995.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global prevalence of vitamin A deficiency. micronutrient deficiencies information system: working paper Nº. 2. Geneva, 1995a. 116p.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Physical Status: the use and interpretation of anthropometry. Geneva, 1995b, Chapter 5:161-262. (WHO Technical Report Series, 854).

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Indicators for assessing Vitamin A deficiency and their application in monitoring and avaluating intervention programmes. Geneva, 1996. 66p. (Micronutrient Series, WHO/NUT. 10).

Downloads

Publicado

25-04-2001

Como Citar

Andréa RAMALHO, R. ., dos ANJOS, L. A., & FLORES, H. . (2001). Valores séricos de vitamina a e teste terapêutico em pré-escolares atendidos em uma unidade de saúde do Rio de Janeiro, Brasil. Revista De Nutrição, 14(1). Recuperado de https://seer.sis.puc-campinas.edu.br/nutricao/article/view/8943

Edição

Seção

ARTIGOS ORIGINAIS