Críticas do direito e dos direitos de liberdade nos filmes de Quentin Tarantino

Autores

  • Dimitri Dimoulis Fundação Getúlio Vargas,
  • Soraya Gasparetto Lunardi UNESP

DOI:

https://doi.org/10.24220/2675-9160v1e2020a5213

Palavras-chave:

Direito e cinema. Estado de direito. Funções do direito. Liberdade. Violência.

Resumo

O presente artigo analisa as críticas do direito e dos direitos de liberdade que podem ser encontradas nos filmes de Quentin Tarantino, em particular no filme Hateful Eight. Nas narrativas de Tarantino reflete-se constantemente sobre o direito de portar armas, previsto na 2ª. Emenda da Constituição dos Estados Unidos, e o significado dos direitos de liberdade, incluindo o “direito” de vingança. O texto questiona as funções do direito e do Estado, mostrando suas contradições, especialmente a (impossível) delimitação entre violência legítima e ilegítima. Reflete-se também sobre o papel do direito e do Estado na busca de estabelecer a unidade nacional sem abolir as desigualdades sociais e a opressão de minorias. O Estado de Direito e de direitos parece ser, para Tarantino, uma ordem imposta com armas e sangue.

Biografia do Autor

Dimitri Dimoulis, Fundação Getúlio Vargas,

Fundação Getúlio Vargas, Escola de Direito de São Paulo, Programa de Pós-Graduação em Direito

Soraya Gasparetto Lunardi, UNESP

Professora de Direito Constitucional, Direitos Fundamentais e Direito Constitucional Econômico. Pesquisadora da UNESP

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Publicado

22-12-2020

Edição

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Artigos