Discriminação algorítmica no trabalho digital

Autores

  • Cláudio Jannotti da Rocha Universidade Federal do Espírito Santo
  • Lorena Vasconcelos Porto
  • Helena Emerick Abaurre

DOI:

https://doi.org/10.24220/2675-9160v1e2020a5201

Palavras-chave:

Algoritmos. Discriminação. Gig-economy. Plataformas digitais. Quarta revolução industrial.

Resumo

Com o advento da Quarta Revolução Industrial, as tecnologias do Big Data, do machine learning e da Inteligência Artificial passam a ser utilizadas de maneira combinada permitindo que algoritmos estejam em constante reanálise de padrões de interesses com base em um banco de dados previamente estabelecido pelo programador do código-fonte. Entretanto, os padrões algorítmicos podem se revelar enviesados e capazes de produzir uma nova espécie de dano na dinâmica laboral: a “discriminação algorítmica”. Quando determinado conteúdo é valorado negativamente ou excluído do output correspondente ao que o artifício compreende como relevante, o dano, tal qual o Big Data, ocorre em velocidade, volume e variedade, sobretudo quando os sujeitos atingidos pelos vieses utilizam as redes virtuais sobre as quais operam os algoritmos como o seu meio ambiente de trabalho. Nesse contexto, elencam-se como problemáticas condutoras da presente pesquisa: como a discriminação algorítmica de viés racista atinge os trabalhadores digitais? Como criar um meio ambiente virtual de trabalho não discriminatório? Por meio da investigação qualitativa, documental e bibliográfica, será testada a hipótese de que influenciadores e criadores de conteúdo digital têm o seu labor significantemente prejudicado pelo viés racista imbricado nas métricas algorítmicas e de que a demanda por melhores condições de transparência junto às empresas detentoras das plataformas pode encontrar na união em coletivos de trabalhadores uma via próspera para o alcance de igualdade de acesso a oportunidades de trabalho no ciberespaço.

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Publicado

21-12-2020

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Artigos