Democracia e direitos humanos: a inquietação ética radical de Jürgen Habermas e Emmanuel Levinas

Autores

  • Felipe Rodolfo de Carvalho Universidade Federal de Mato Grosso

DOI:

https://doi.org/10.24220/2675-9160v1e2020a5150

Palavras-chave:

Democracia. Direitos humanos. Emmanuel Levinas. Ética. Jürgen Habermas.

Resumo

Este artigo pretende apresentar algumas proximidades entre as filosofias de Jürgen Habermas e de Emmanuel Levinas, revelando tópicos em torno dos quais se encontram e chegam mesmo a um consenso. Daí a opção por uma análise comparativa das obras dos filósofos, em que se busca mais os pontos de contato do que os aspectos de distanciamento. Na primeira parte, sublinha a inquietação ética radical que permeia seus respectivos pensamentos, proporcionando uma postura não resignada diante da crise contemporânea e uma abertura à alteridade na forma de éticas do discurso que se complementam. Na segunda, destaca a preocupação de ambos filósofos em repensar as instituições jurídicas e políticas, conectando-as com a democracia, sem perder de vista o papel fundamental dos direitos humanos em sua configuração e sem abandonar a perspectiva de um universalismo. Destaca, ao final, como o ponto de partida comum, consistente numa inquietação ética radical, condu-los simultaneamente, em termos de uma sua extensão ao campo jurídico-político, à defesa intransigente da democracia e dos direitos humanos.

Biografia do Autor

Felipe Rodolfo de Carvalho, Universidade Federal de Mato Grosso

Doutor em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela FD/USP. Professor efetivo da FD/UFMT na Graduação e do Mestrado. Líder do Terceira Margem - Grupo de Pesquisa em Filosofia, Literatura e Direitos Humanos.

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Publicado

21-12-2020

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Artigos