A democracia diante do radicalismo conservador no início do século XXI

Autores

DOI:

https://doi.org/10.24220/2675-9160v1e2020a5132

Palavras-chave:

Conservadorismo. Democracia. Política. Radicalismo. Representação

Resumo

Este artigo analisa os desafios da democracia no ocidente neste início de século, diante do radicalismo que acompanha a ascensão da direita conservadora ao poder político, com foco nas eleições presidenciais no Brasil em 2018 e nos Estados Unidos da América em 2016. Na primeira parte do trabalho, são descritas algumas das contradições das democracias de ambos os países, em seus respectivos contextos políticos e sociais. Na segunda parte, a partir de categorias da democracia liberal, a pesquisa busca compreender as conquistas e insuficiências das instituições democráticas contemporâneas. Peter Mair descreve a convergência para o centro dos programas partidários e o enfraquecimento da classe política tradicional, como causa da vitória desses novos atores. A investigação pretende contribuir para que movimentos democráticos possam encontrar alternativas a esse cenário. Em um ambiente de descrença nos representantes eleitos, promessas de mudanças profundas na política ganharam espaço. No entanto, é preciso estar atento se discursos e programas admitem a redução ou mesmo a eliminação da mediação democrática para a solução dos diversos conflitos sociais.

Biografia do Autor

Cícero Krupp da Luz, Faculdade de Direito do Sul de Minas - FDSM

Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo – USP. Professor do Mestrado em Constitucionalismo e Democracia da Faculdade de Direito do Sul de Minas – FDSM. Coordenador do Grupo de Pesquisa CNPq "Direito Internacional Crítico". Professor de Relações Internacionais da FECAP.

Gilberto Soares Ferreira, Faculdade de Direito do Sul de Minas - FDSM

Mestre em Constitucionalismo e Democracia pela Faculdade de Direito do Sul de Minas - FDSM. Analista Judiciário junto ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais - TRE-MG.

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21-12-2020

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Artigos