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                <journal-title>Revista de Educação PUC-Campinas</journal-title>
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                <publisher-name>Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas</publisher-name>
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                <article-title>Características epistemológico-educacionais do componente curricular Projeto de Vida: compreensões de estudantes</article-title>
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                    <trans-title>Epistemological-educational characteristics of the curricular component Life Project: students’ understandings</trans-title>
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                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-4725-9090</contrib-id>
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                        <surname>Mezzomo</surname>
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                </contrib>
                <contrib contrib-type="author">
                    <contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0003-2406-9638</contrib-id>
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                        <surname>Kraemer</surname>
                        <given-names>Celso</given-names>
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                <institution content-type="orgname">Centro Universitário UniSociesc</institution>
                <institution content-type="orgdiv1">Curso de Psicologia e Gestão de Recursos Humanos</institution>
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                <institution content-type="original">Colégio Bom Jesus Santo Antônio, Disciplina de Filosofia. Blumenau, SC, Brasil.</institution>
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            <author-notes>
                <corresp id="c01">Correspondência para: R. J. MEZZOMO. <italic>E-mail:</italic>
                    <email>ricardo.mezzomo@prof.unisociesc.com.br</email>. </corresp>
                <fn fn-type="edited-by">
                    <label>Editora</label>
                    <p>Luciana Haddad Ferreira</p>
                </fn>
                <fn fn-type="conflict">
                    <label>Conflito de interesses</label>
                    <p>Não há conflito de interesses.</p>
                </fn>
            </author-notes>
            <pub-date publication-format="electronic" date-type="pub">
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                    <license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto (<italic>Open Access</italic>) sob a licença <italic>Creative Commons Attribution</italic>, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.</license-p>
                </license>
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            <abstract>
                <title>Resumo</title>
                <p>Este artigo tem como objetivo identificar as características epistemológico-educacionais do componente curricular Projeto de Vida em duas escolas de Ensino Médio no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, a partir da ótica de estudantes, no contexto da reforma do Ensino Médio – deflagrada em 2017. Na pesquisa de campo, foram utilizados questionários e grupos focais. A metodologia utilizada é mista, combinando estudos bibliográficos, documentais e pesquisa de campo. Conforme os dados, entre outros elementos, as análises expressam: significativa receptividade dos estudantes ao componente; desejo latente de uma educação integrada ao mundo; um potencial significativo de renovação da educação no modo de trabalho do Projeto de Vida e aspectos neoliberais presentes nos relatos dos estudantes. Conclui-se que o Projeto de Vida, ao mesmo tempo em que apresenta elementos de uma educação problematizadora em suas características epistemológico-educacionais, sinalizando mudanças profundas na educação contemporânea, também mobiliza traços do pensamento neoliberal em educação.</p>
            </abstract>
            <trans-abstract xml:lang="en">
                <title>Abstract</title>
                <p>This article aims to identify the epistemological-educational characteristics of the curricular component Projeto de Vida (Life Project) in two high schools located in the Vale do Itajaí region (Santa Catarina, Brazil), from the perspective of students, within the context of the High School Reform initiated in 2017. The field research was conducted using questionnaires and focus groups in one public and one private school. The methodology adopted is mixed, combining bibliographic and documentary studies with empirical investigation. According to the data, the analyses reveal, among other aspects, significant student receptiveness to the component, a latent desire for an education connected to the world, a considerable potential for educational renewal in the way Projeto de Vida is implemented, and the presence of neoliberal elements in students’ narratives. The study concludes that, while the component presents features of a critical and problem-posing education in its epistemological-educational traits, which point to meaningful changes in contemporary schooling, it also mobilizes elements of neoliberal thinking in education.</p>
            </trans-abstract>
            <kwd-group xml:lang="pt">
                <title>Palavras-chave</title>
                <kwd>Educação problematizadora</kwd>
                <kwd>Epistemologia da educação</kwd>
                <kwd>Neoliberalismo</kwd>
                <kwd>Reforma do Ensino Médio</kwd>
            </kwd-group>
            <kwd-group xml:lang="en">
                <title>Keywords</title>
                <kwd>Critical education</kwd>
                <kwd>Epistemology of education</kwd>
                <kwd>Neoliberalism</kwd>
                <kwd>High School Reform</kwd>
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                    <funding-source>UNIEDU/FUMDES</funding-source>
                    <award-id>00195992/2024</award-id>
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                <funding-statement><bold>Apoio</bold> Bolsa de estudo UNIEDU/FUMDES - Pós-graduação, em atendimento a Lei Complementar 407, de 25 de janeiro de 2008, Decreto nº 470, de 17 de janeiro de 2020 Pós-graduação. Processo SED 00195992/2024</funding-statement>
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    <body>
        <sec sec-type="intro">
            <title>Introdução</title>
            <p>Inserido na Educação Básica e direcionado a um público em processo de autoafirmação e definição de escolhas pessoais e profissionais, sob influência da pressão exercida por pais e pelo setor empresarial quanto à qualificação da mão de obra, o Ensino Médio (EM) constitui-se em um nível de ensino associado a crises e tensões decorrentes de reformas. São conflitos que visam atender expectativas sociais, econômicas e demandas juvenis. Para muitos pesquisadores, o EM permanece carente de sentido por ser “ponto de encontro das muitas contradições do ensino brasileiro, tem papéis demais. Pode-se dizer que é um nível em crise permanente” (<xref ref-type="bibr" rid="B06">Castro, 2008, p. 113</xref>). Como indicado em discussões e pesquisas (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Silva, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B41">Silva; Krawczyk; Calçada, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B27">Krawczyk, 2011</xref>), não é de hoje que o EM brasileiro é polêmico, seja pela qualidade da educação oferecida, devido à (falta de) identidade ou pelos persistentes problemas de acesso e permanência.</p>
            <p>Mesmo que a reforma de 2017 tenha se apresentado como uma promessa de superação e novas significações para o EM, flexível e integrado ao mundo, acabou acentuando uma formação ainda mais fragmentada e aligeirada. Conforme a análise de propostas curriculares dos estados, a falta de articulação com o Ensino Fundamental constitui um dos aspectos dessa fragmentação já presente no percurso da educação básica. Soma-se a isso a inserção da formação técnica e profissional como um dos itinerários formativos no EM, podendo ser estruturado a partir de cursos de curta duração, desarticulados entre si e, em certas ocasiões, ofertados na modalidade a distância, proporcionado uma formação profissional precarizada (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Silva; Krawczyk; Calçada, 2023</xref>). Após décadas de debates, a partir de 2017 (<xref ref-type="bibr" rid="B05">Brasil, 2017</xref>) iniciou-se um novo ciclo de reformas em meio a intensos debates que se estendem até os dias atuais, em 2025.</p>
            <p>Em Santa Catarina, lócus desta pesquisa, a institucionalização da reforma do EM foi acompanhada da publicação dos cadernos do Currículo Base do Ensino Médio do Território Catarinense (CBEMTC) (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Santa Catarina, 2021a</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B35">2021b</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B36">2021c</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B37">2021d</xref>), reduzindo as horas dos componentes tradicionais como Matemática, Língua Portuguesa, História, Geografia (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Garcia, 2024</xref>), criando outros, aumentando a fragmentação e o tempo de permanência do estudante na escola. Entre as modificações curriculares introduzidas pelo CBEMTC, destaca-se o componente curricular Projeto de Vida (PV), que constitui o foco deste estudo. O objetivo é identificar suas características epistemológico-educacionais, entendendo-se por tal conceito, além dos fundamentos teóricos da educação, também os conteúdos curriculares, os métodos de ensino e os procedimentos de avaliação, as relações entre educadores e educandos, os modos de utilização dos espaços e recursos, os princípios éticos, políticos e filosóficos deste processo. Portanto, as características epistemológico-educacionais referem-se à globalidade da educação e o modo como os diferentes aspectos se relacionam. Identificar essas características nas práticas educativas permite uma análise crítica das tensões e contradições presentes nelas, bem como seus impactos na formação dos estudantes. Essas características podem ser explícitas, em projetos específicos de educação ou implícitas, imanentes nas práticas de educar, sem que seus atores tenham uma reflexão crítica e um entendimento sobre tais características epistemológico-educacionais.</p>
            <p>No desenvolvimento deste artigo, os procedimentos metodológicos de geração dos dados foram explicitados e, em seguida, as características epistemológico-educacionais foram conceituadas. Com base nisso, discutem-se as características epistemológico-educacionais do PV e suas implicações na formação dos estudantes. Mais do que mera curiosidade acerca da inserção do novo componente, importa observar, no “chão da escola”, sua relação com as políticas de formação das juventudes.</p>
        </sec>
        <sec sec-type="methods">
            <title>Procedimentos Metodológicos</title>
            <p>Na pesquisa, ante a necessidade de validação dos dados e plausibilidade das análises (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Gatti, 2007</xref>), os pesquisadores enfrentam a exigência de um itinerário que permita, de maneira criteriosa, trabalhar o seu objeto investigado. Com o objetivo de apreender as características epistemológico-educacionais do PV, realizamos a leitura dos documentos oficiais, teses, dissertações, livros e artigos, etapa voltada à fundamentação teórica e ao delineamento do estudo. Em seguida, desenvolvemos a investigação empírica com estudantes de duas escolas, uma privada e uma pública. A opção por pesquisar o PV em contextos sociais, culturais e econômicos distintos (escola pública e escola privada) visou ampliar a compreensão das suas características. A motivação não foi comparar as escolas, mas identificar, apesar das singularidades dos contextos, elementos invariantes que perpassam diferentes realidades escolares, contribuindo para uma melhor elucidação da atuação do PV no atual Ensino Médio.</p>
            <p>A seleção das duas escolas seguiu uma amostragem não probabilística, sem intenção de representatividade estatística. A escolha delas, considerando o amplo universo de escolas catarinenses, aproxima-se do que é denominado “amostra por conveniência”. De acordo com <xref ref-type="bibr" rid="B13">Duarte (2012, p. 69)</xref>, “a seleção por conveniência é baseada na viabilidade. Ocorre quando as fontes são selecionadas por proximidade ou disponibilidade”.</p>
            <p>Na escolha da escola pública pesou o fato de ela ter participado do projeto Ensino Médio Integral em Tempo Integral (EMITI)<xref ref-type="fn" rid="fn05">5</xref> e ter sido uma das 120 escolas-piloto de Santa Catarina na primeira etapa de implementação do então chamado Novo Ensino Médio, resultante da reforma de 2017. O componente PV integrava a estrutura curricular em ambos os projetos, EMITI e Escolas-Piloto, o que conferia à escola escolhida certa familiaridade com ele, ao passo que as demais escolas começaram a ministrá-lo em 2022. Trata-se de uma escola localizada em região periférica, marcada por vulnerabilidade econômica e social. A escola privada, por sua vez, está situada na região central da cidade e atende majoritariamente a classe A. A gestão de ambas as escolas mostrou abertura para acolher a pesquisa. As duas instituições estão localizadas em uma cidade na região do Vale do Itajaí<xref ref-type="fn" rid="fn06">6</xref>, em Santa Catarina. Na escola pública havia duas turmas de 1º ano de EM no turno matutino e, na escola privada, quatro. Diante disso, na pública, 36 educandos responderam ao questionário, enquanto, na privada obteve-se 124 respondentes. Embora o número de participantes seja distinto entre as duas escolas, essa diferença não compromete o objetivo do estudo, uma vez que não se buscou realizar comparações estatísticas entre elas.</p>
            <p>Na geração de dados junto aos estudantes, foi aplicado um questionário e organizado três Grupos Focais (GFs). O questionário continha 17 perguntas, sendo 15 objetivas (fechadas) – cujos resultados são apresentados nesta pesquisa no formato de tabelas e quadros – e duas questões abertas, com respostas discursivas. Essas últimas, juntamente com as falas gravadas e transcritas dos GFs, são apresentadas na forma de recortes das falas. As respostas discursivas e as falas dos GFs, entrecruzadas com os dados quantitativos do questionário, propiciaram uma boa compreensão das características epistemológico-educacionais do PV no âmbito da reforma do EM.</p>
            <p>Assim, quanto à metodologia, a pesquisa possui características de abordagem mista. Ela combina elementos quantitativos e qualitativos. A pesquisa de métodos mistos, ao integrar diferentes técnicas, viabiliza gerar uma perspectiva ampla do fenômeno estudado. Há vantagens em se combinar abordagens qualitativa e quantitativa, “seja para a convergência de resultados, seja para explorá-los, ou ainda explicá-los” (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Creswell; Clark, 2018, apud Vicentini, 2022, p. 69</xref>). Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B45">Vicentini (2022)</xref>, os dois autores propõem três desenhos básicos para abordagens de métodos mistos: explicativo sequencial; exploratório sequencial e convergente. Na presente pesquisa, adotou-se o método misto convergente, no qual o</p>
            <disp-quote>
                <p>pesquisador coleta e analisa duas bases de dados separadas – quantitativa e qualitativa – e então as funde com o propósito de comparar ou combinar os resultados [...] com o propósito de corroborar e validar, de ilustrar resultados quantitativos com achados qualitativos (ou vice-versa), ou ainda avaliar relações entre variáveis</p>
                <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B45">Creswell; Clark, 2018, apud Vicentini, 2022, p. 69</xref>).</attrib>
            </disp-quote>
            <p>No que concerne aos aspectos éticos, a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética na Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Regional de Blumenau. Submetida para avaliação em 5 de março de 2022, recebeu o parecer favorável em 24 de maio do mesmo ano, sob o protocolo CAAE – 56473122.7.0000.5370.</p>
            <sec>
                <title>Características epistemológico-educacionais</title>
                <p>Historicamente, pesquisadores de épocas e perspectivas filosóficas diferentes utilizam o termo epistemologia de modos díspares. No campo filosófico, a epistemologia ocupa-se do estudo do conhecimento, suas fontes, validade, natureza, fundamentos e limites. Nesse sentido, busca elucidar os critérios de verdade e, a partir deles, orienta a distinção entre o conhecimento válido e verdadeiro de falsos saberes, assim como entre opinião e conhecimento.</p>
                <p>Desde as últimas décadas está em curso uma transformação da noção de epistemologia. Para além do uso estritamente filosófico, seu significado e sua aplicação têm se estendido para novos domínios: para demarcar conflitos sociais e políticos, saberes históricos, diversidades étnicas, perspectivas de gênero e grupos identitários. Esse desdobramento ocorre tanto em movimentos sociais quanto em trabalhos intelectuais. Na educação, tem servido para enfrentar visões eurocêntricas de práticas intelectuais e de currículos escolares, que tendem a negligenciar a diversidade de saberes e perspectivas culturais. Nesse viés, as novas concepções epistemológicas têm buscado elucidar as formas de poder e os processos de dominação alocados em uma suposta epistemologia geral (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Kraemer, 2023</xref>).</p>
                <p><xref ref-type="bibr" rid="B16">Freire (2022, p. 101)</xref> ressaltou as relações entre educação, poder e conhecimento, pois “a educação é sempre certa teoria do conhecimento posta em prática [...]”. O autor assinala a complexidade da temática epistemológica que permeia as práticas pedagógicas. Ao relacionar a teoria do conhecimento com a educação, ele ressalta o papel da reflexão epistemológica na educação, na construção do conhecimento e na transformação ou na manutenção social. Toda prática educativa, explicitada ou não, carrega uma teoria do conhecimento. Essa teoria, por sua vez, comporta pressupostos e visões de mundo – tanto por parte das pessoas que criam as políticas educacionais, quanto das que as transformam em práticas escolares. Nesse sentido, a epistemologia do currículo escolar contém os princípios da sociedade e dos grupos que detêm o poder de defini-lo. Para <xref ref-type="bibr" rid="B44">Silva (2005, p. 35)</xref>, o currículo “baseia-se numa cultura dominante, uma espécie de ‘código cultural’” dos grupos dominantes.</p>
                <p>Constantemente o currículo é objeto de controvérsias, tanto sobre sua definição quanto com relação ao que se propõe às escolas (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Silva; Krawczyk; Calçada, 2023</xref>), pois nele “as dimensões de poder e de disputas por hegemonia” se confrontam (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Silva; Krawczyk; Calçada, 2023, p. 4</xref>). Em todo currículo existe “uma filosofia curricular ou uma orientação teórica que é, por sua vez, síntese de uma série de posições filosóficas, epistemológicas, científicas, pedagógicas e de valores sociais” (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Sacristán, 2000, p. 35</xref>).</p>
                <p>As características do conhecimento, as metodologias e os formatos avaliativos presentes no currículo efetivam um universo epistemológico da educação, subjacente à prática educativa. A título de exemplificação, a presença de provas no currículo como forma principal de avaliação da aprendizagem expressa uma epistemologia do conhecimento e uma epistemologia da educação, centradas na repetição: professores e estudantes apenas memorizam e repetem. A avaliação se efetiva com perguntas padronizadas. O contexto escolar motiva competições entre os estudantes em relação às notas e entre as instituições no que diz respeito às avaliações externas e à classificação em rankings escolares, com dados individuais dos estudantes sendo utilizações em ações publicitárias. Trata-se, portanto, de uma epistemologia reprodutivista, individualista e competitiva (não solidária). Oposta a ela, tem-se uma epistemologia dialógica e problematizadora, na qual o conhecimento é algo dinâmico, que se renova constantemente e que conta com a participação ativa de docentes e estudantes em sua construção (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Kraemer, 2023</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn07">7</xref>.</p>
                <p>A expressão “características epistemológico-educacionais” é utilizada para indicar tanto os múltiplos saberes que perpassam as formações históricas e culturais, geralmente excluídos do currículo formal da escola, quanto os saberes inerentes às práticas de educar, subjacentes aos modelos que organizam os tempos e os espaços escolares, desde o formato arquitetônico, as seriações do conhecimento, das idades, o disciplinamento dos horários, das rotinas, das avaliações, das hierarquias e dos não-contatos da educação escolar, pois “as questões epistemológicas estão presentes em todas as nossas práticas do educar” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Kraemer, 2023, p. 13</xref>). Essas características, muitas vezes implícitas e olvidadas, são explicitadas quando os conhecimentos, as metodologias e as avaliações presentes nos dizeres dos educandos são analisados. Embora as características epistemológico-educacionais muitas vezes não sejam percebidas no cotidiano dos afazeres escolares, elas estão presentes, atuam e são tacitamente aceitas nas práticas educativas.</p>
                <p>Analisar criticamente este processo amplia a compreensão sobre a educação. As duas perspectivas epistemológicas de educação que sustentam a análise são a dialógica, (emancipadora) e a epistemologia meritocrática (neoliberal). A primeira se faz a partir do pressuposto do inacabamento do conhecimento, por isto problematizadora, em que os educandos colaboram com seu constante refazer, tornando-se críticos, autônomos e solidários, capazes de refletir sobre suas condições sociais. A segunda, alinhada com o sistema produtivo, pressupõe o conhecimento como algo que já está pronto, a ser transmitido, memorizado e avaliado, focada no sucesso individual, na competição e na reprodução de relações de poder e interesses mercadológicos, sem questionar ou problematizar aspectos sociais e políticos da sociedade e da educação (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Kraemer, 2023</xref>).</p>
                <p>Elas podem estar mescladas no cotidiano escolar – ora problematizadoras, ora meritocráticas. Isso mostra a relevância das reflexões na educação “Há, pelo menos, três grandes conjuntos de questões epistemológicas implicadas nas práticas de educar” (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Kraemer, 2023, p. 23</xref>): diz respeito aos modelos pedagógicos, às estratégias didáticas, aos movimentos dos corpos no espaço escolar, transbordantes, criativos ou unilaterais, repetitivos; o segundo refere-se ao conhecimento: ele está pronto, disponível nos livros, apostilas e sites ou é vivo, dinâmico, em devir, fazendo-se no próprio processo pedagógico e o terceiro refere-se à aprendizagem, a como os seres humanos aprendem, quais são as invariantes do aprender, as motivações intrínsecas da curiosidade e da interação ou as motivações extrínsecas na competição pelas notas.</p>
                <p>Nas práticas educativas, esses três conjuntos estão sempre articulados: o modo como se trabalha o conhecimento, baseado na realidade vivida pelos educandos ou nos livros didáticos e apostilas; as estratégias didáticas e as rotinas pedagógicas, dialógicas e problematizadoras ou pautadas na transmissão e na reprodução. É no cotidiano escolar dessas práticas que se revelam as características epistemológico-educacionais.</p>
                <p>Outros aspectos que auxiliam na elucidação das características epistemológico-educacionais: a posição dos estudantes – se agentes, com participação ativa, ou receptores passivos na sala de aula; a função dos docentes – se são transmissores de conhecimento e classificadores por notas ou problematizadores dos saberes e das condições sociais efetivas, instigando a pesquisa e o pensamento crítico; os processos avaliativos – se são diagnósticos, para superar fragilidades, ou são classificatórios; as rotinas escolares – se são articulações criativas entre o conjunto dos segmentos envolvidos ou impostas sem possibilidade de questionamentos; se o telos é a compreensão do mundo e a contínua recriação da cultura ou a memorização do conhecimento como algo finalizado; se os componentes são fragmentados, constituindo gaiolas epistemológicas (<xref ref-type="bibr" rid="B10">D’Ambrosio, 2016</xref>) ou articulados no estudo de problemas e projetos e se a escola prioriza a dimensão coletiva de articulação ou o mérito individual.</p>
                <p>Além dos conjuntos mencionados, a identificação das características epistemológico-educacionais também abarca mais dois conjuntos do discurso escolar: a psicologização, centrada nas motivações e nas habilidades socioemocionais, e a progressiva atenção aos aspectos neurológicos (neuroaprendizagem, neurolinguagem, neurodivergência, neurofilosofia, neuroética, neurocomportamental). Esses dois âmbitos do discurso epistemológico escolar efetivam uma tendência mais geral de centrar <italic>tudo no indivíduo</italic> e nas suas singulares circunstâncias psicológicas ou neurológicas, cerceando o pensamento de análises que contemplem as dimensões coletivas, comunitárias, as formas de saber e as relações de poder inerentes e constituintes das individualidades, que são singularizações das questões estruturais da sociedade. Saliente-se, entretanto, que o problema não reside no socioemocional em si, mas na perspectiva adotada, pois, em certas circunstâncias, pode ser necessário considerar aspectos psicológicos, socioemocionais ou neurológicos em uma abordagem emancipadora. <xref ref-type="bibr" rid="B28">Krawczyk e Zan (2021)</xref> destacam que o investimento em uma educação direcionada às competências socioemocionais, prioritariamente na resiliência, tende a resultar em uma formação que se alinha a um contexto educacional, econômico e social distante de um projeto engajado nas transformações sociais coletivas. Esses embates epistemológicos, políticos, econômicos, de concepções de mundo e de humanidade permeiam os cotidianos escolares. São muito mais do que meras questões ideológicas ou metodológicas; constituem a força motriz do fazer educativo.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>A constituição da pessoa humana: educação e intervenção no processo.</title>
                <p>Conforme reforçam <xref ref-type="bibr" rid="B20">Freire (2021a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B16">2022)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B01">Biesta (2013)</xref>, a educação efetiva/constitui, inevitavelmente, um modo de intervenção na formação humana, cuja natureza e finalidades dependem das concepções epistemológico-educacionais que a orientam. Assim, o componente curricular PV significa uma intervenção na vida dos estudantes no EM. Uma análise prévia do CBEMTC (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Santa Catarina, 2021a</xref>) e de livros didáticos<xref ref-type="fn" rid="fn08">8</xref> adotados nas escolas (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Silva, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14">Fávero <italic>et al.</italic>, 2024</xref>), anterior às análises das respostas dos estudantes, revela que o PV investe sobre aspectos psicológicos e emocionais, atuando sobre aspectos cognitivos e afetivos dos estudantes com dois possíveis de direcionamentos: tanto para engajá-los no processo social/escolar, com um viés problematizador, quanto para capturar as demandas juvenis e encaminhá-las na corrida meritocrática e individualista do sucesso.</p>
                <p>Em grande medida, as práticas educacionais caracterizam-se como práticas de socialização, voltadas a inserir o recém-chegado (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Biesta, 2013</xref>) na ordem sociopolítica e cultural existente. <xref ref-type="bibr" rid="B01">Biesta (2013, p. 16)</xref> reconhece que isso tem um lado importante, pois lhe oportuniza adentrar no mundo, mas adverte que não se deve ser ingênuo, “porque esses processos também contribuem para a reprodução de desigualdades existentes”.</p>
                <p>A caracterização que Biesta (2013) faz da educação como intervenção tem ressonâncias do livro <italic>Pedagogia da autonomia</italic> – primeira edição de Paulo Freire, publicada em 1996, para quem “a educação é uma forma de intervenção no mundo. Intervenção que além do conhecimento dos conteúdos bem ou mal ensinados e/ou aprendidos implica tanto o esforço de <italic>reprodução</italic> da ideologia dominante quanto o seu <italic>desmascaramento</italic>” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freire, 2021a, p. 96</xref>). No entanto, esses processos são complexos e até contraditórios, pois “não poderia ser a educação só uma ou só a outra dessas coisas. Nem apenas reprodutora nem apenas <italic>desmascaradora</italic> da ideologia dominante” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freire, 2021a, p. 96</xref>). Trata-se, portanto, de uma questão ampla e intrincada.</p>
                <disp-quote>
                    <p>Quando falo em educação como intervenção me refiro tanto à que aspira a mudanças radicais na sociedade, no campo da economia, das relações humanas, da propriedade, do direito ao trabalho, à terra, à educação, à saúde, quanto à que, pelo contrário, reacionariamente pretende imobilizar a História e manter a ordem injusta</p>
                    <attrib>(<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freire, 2021a, p. 106</xref>).</attrib>
                </disp-quote>
                <p><xref ref-type="bibr" rid="B20">Freire (2021a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B16">2022)</xref> utiliza com recorrência o termo intervenção no sentido de considerar o ser humano como um ser histórico responsável e capaz de intervir no mundo. “O ser humano é, naturalmente, um ser da intervenção no mundo à razão de que faz a História. Nela, por isso mesmo, deve deixar suas marcas de sujeito e não pegadas de puro objeto” (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Freire, 2022, p. 139</xref>). Ao intervir, há construção e aperfeiçoamento de conhecimentos; a curiosidade intrínseca gera possibilidades e fomenta novas ideias. Para <xref ref-type="bibr" rid="B20">Freire (2021a)</xref>, compreender os fatos de maneiras diferentes gera novas ações e promove a participação ativa no processo de criação do mundo, não apenas ajustes a ele. Como seres históricos, “[...] nos tornamos capazes de comparar, de valorar, de intervir, de escolher, de decidir, de romper” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freire, 2021a, p. 34</xref>), razão pela qual a condição humana se configura como ética.</p>
                <p>A noção de intervenção em Freire e Biesta mostra como a educação pode tanto estimular o desenvolvimento humano integral, promovendo equidade e formas democráticas de vida, quanto perpetuar autoritarismos e desigualdades. Freire ressalta a capacidade transformadora da intervenção, que emana da autonomia e da responsabilidade das pessoas como agentes históricos. Para ambos, a educação implica tanto nos riscos da conformidade quanto no potencial problematizador da prática educativa.</p>
                <p>Nesse cenário, a ideia de que “A educação não muda o mundo, a educação muda as pessoas, as pessoas mudam o mundo” (<xref ref-type="bibr" rid="B03">Brandão, 2008, p.164</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn09">9</xref>, do antropólogo Carlos Rodrigues Brandão, evidencia como a intervenção atua nos processos de mudanças. A educação promove agentes de mudança que, por sua vez, transformam o mundo. A mudança tem raízes na conscientização; em uma educação problematizadora, com pessoas engajadas na construção de um mundo justo.</p>
                <p>Considerando a educação como uma intervenção na vida dos educandos, a inserção do PV no currículo pode configurar-se tanto como um potencial problematizador, com contribuições efetivas à dinâmica vivida pelos educandos, quanto como um elemento alienante. O Censo Escolar de 2023 registrou 7,7 milhões de matrículas no EM (<xref ref-type="bibr" rid="B04">Brasil, 2024</xref>). A rede estadual concentra a maior parte delas, (83,6%, com 6,4 milhões de alunos); a rede federal atende 236 mil alunos (3,1%) e a rede privada, cerca de 986,3 mil (12,8%)<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>.</p>
                <p>Influenciados pela intervenção que recebem na educação (<xref ref-type="bibr" rid="B01">Biesta, 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B20">Freire, 2021a</xref>) e pelas críticas que formulam a partir dela, questiona-se: o que pensam os estudantes sobre o componente PV? Com base nas respostas dadas pelos participantes, buscou-se identificar algumas das características epistemológico-educacionais que estruturam esse componente curricular.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>“É um dos melhores componentes que já vi em uma escola!”</title>
                <p>Na geração de dados, foram utilizados um questionário e Grupos Focais. A última solicitação no questionário foi: <italic>Fique à vontade para comentar algo que você considera importante informar ao pesquisador – relacionado ao componente Projeto de Vida</italic>: Nesse espaço, surpreendentemente, 92 de 124 respondentes escreveram algo, indicando a vontade de serem ouvidos. São manifestações com informações distintas das demais e merecem uma análise específica. Na <xref ref-type="table" rid="t01">Tabela 1</xref> foram sistematizados os 92 registros, agrupando-os em quatro posicionamentos: favoráveis ao PV, contrários ao PV, ambíguos<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref> e desconexo do tema<xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref>.</p>
                <table-wrap id="t01">
                    <label>Tabela 1</label>
                    <caption>
                        <title>Manifestações de estudantes sobre o Projeto de Vida.</title>
                    </caption>
                    <table frame="hsides" rules="groups">
                        <thead>
                            <tr align="center">
                                <th rowspan="2" align="left">Posicionamentos</th>
                                <th>Escola pública</th>
                                <th>Escola privada</th>
                            </tr>
                            <tr align="center" style="border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                                <th colspan="2">%</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr align="center">
                                <td align="left">Favoráveis ao PV</td>
                                <td>72,30</td>
                                <td>51,0</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td align="left">Contrários ao PV</td>
                                <td>5,60</td>
                                <td>6,60</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td align="left">Ambiguidades</td>
                                <td>5,60</td>
                                <td>30,20</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td align="left">Desconexo do tema</td>
                                <td>16,50</td>
                                <td>12,20</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <attrib>Fonte: Elaborada pelo autor a partir dos dados do questionário aplicado na região do Vale do Itajaí (SC), em 2022.</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Entre os estudantes que se posicionaram Contrários ao PV, (5,60% na escola pública e 6,60% na escola privada), conforme a <xref ref-type="table" rid="t01">Tabela 1</xref>, identificamos dois subgrupos. Os excertos na sequência, extraídos do questionário, explicitam algumas de suas opiniões:</p>
                <list list-type="bullet">
                    <list-item>
                        <p>a) desfavoráveis sem razões específicas;</p>
                        <list list-type="bullet">
                            <list-item>
                                <p><italic>Disciplina que muitos não le vam a sério</italic>.</p>
                            </list-item>
                        </list>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>b) desfavoráveis com argumentação;</p>
                        <list list-type="bullet">
                            <list-item>
                                <p><italic>Acho que a aula é desnecessária pois tudo o que escutei nela já apre ndi em casa</italic>.</p>
                            </list-item>
                            <list-item>
                                <p><italic>Mudem um pouco essa matéria, o nome é projeto de vida mas não projeta nada para nossa vida</italic>.</p>
                            </list-item>
                        </list>
                    </list-item>
                </list>
                <p>Essas falas revelam tanto um desinteresse, associado à percepção de baixa relevância do componente, quanto críticas diretas à sua proposta. Esse grupo avalia que o conteúdo é redundante ou desconectado de objetivos práticos, o que sugere uma fragilidade na articulação do componente e as experiências concretas vivenciadas por eles.</p>
                <p>Quanto aos registros <italic>Favoráveis ao PV</italic> (72,30% na escola pública e 51% na escola privada), também organizamos dois subgrupos e os excertos evidenciam parte dessas opiniões:</p>
                <list list-type="bullet">
                    <list-item>
                        <p>a) apoio genérico – sem justificativas;</p>
                        <p><italic> Nada para falar da matéria em si já é muito boa</italic><xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref>.</p>
                        <p><italic> Acho muito necessário o projeto de vida.</italic></p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>b) manifestações fundamentadas - explicitam porque o PV é relevante.</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p><italic> O componente curricular é importante, pois nos ajuda a pensar um pouco mais na vida e principalmente no nosso futuro!</italic></p>
                <p><italic> Projeto de vida faz com que os alunos se preparem para a vida adulta, diferente das outras matérias</italic>.</p>
                <p>As manifestações desses educandos valorizam o PV e destacam que ele contribui para o crescimento pessoal, estimula reflexões sobre o futuro e auxilia na preparação para a vida adulta. Nos GFs, os estudantes confirmam que o PV os ajuda no autoconhecimento e na definição de metas, orientando a trajetória deles.</p>
                <p>Os diálogos nos GFs também foram significativos sobre o entendimento dos estudantes quanto ao PV. São apresentados, a seguir, excertos do GF realizado em 7 de novembro de 2022 na escola pública com a provocação “<italic>Esse ano vocês começaram a ter aula de Projeto de Vida. O que vocês acham desse componente curricular?</italic>”</p>
                <disp-quote>
                    <p>Excerto do Grupo Focal 1 – Escola pública</p>
                    <p><italic>Estudante</italic> 16 – <italic>Eu acho necessário o projeto de vida. Porque a gente descobre coisas que a gente não sabia antes, tipo, interesses por tais profissões, e que a gente pode focar nelas e se descobrir nelas</italic>.</p>
                    <p>Pesquisador – <italic>Muito bem</italic>.</p>
                    <p><italic>Estudante</italic> 15 – <italic>É meio que elas assim também, porque a gente descobre mais futuro também, e que tem mais seus sonhos, tem muitas atividades…(inaudível)</italic></p>
                    <attrib>(Trecho do GF1 no Primeiro Ano 1 – manhã de 7/11/2022 – escola pública).</attrib>
                </disp-quote>
                <disp-quote>
                    <p>Excertos do Grupo Focal 2 - Escola pública</p>
                    <p><italic>Estudante</italic> 15 – <italic>Uma coisa que resume em poucas palavras?</italic></p>
                    <p>Pesquisador – <italic>… pode ser</italic>.</p>
                    <p><italic>Estudante</italic> 15 – <italic>É um dos melhores componentes que eu já vi em uma escola!</italic></p>
                    <p><italic>Estudante</italic> 14 – <italic>Acho muito interessante. Eu não cheguei a ter no início desse ano, eu estava estudando no IFC e era outro estilo de componente. Era o projeto inovador.</italic></p>
                    <p><italic>Estudante</italic> 16 – <italic>Eu já tive ele antes e eu acho ele bem legal e ele serve muito mais para, tipo… se autoconhecer, daí se autoconhecendo a gente consegue saber o que a gente quer para o futuro. Eu tive algumas coisas que… (inaudível), antes de entrar no ensino médio, mas eu tinha muitos problemas…. que o Projeto de Vida me ajudou a passar, a limpar a mente…(inaudível)</italic></p>
                    <attrib>(Trecho do GF2 do Primeiro Ano 2 – (manhã de 7/11/2022 – escola pública).</attrib>
                </disp-quote>
                <p>A recorrência de citações sobre o autoconhecimento indica que as ideias do CBEMTC se disseminaram na escola: “É importante observar que a perspectiva pedagógica do trabalho com Projeto de Vida se afasta de qualquer tipo de abordagem psicoterapêutica, ainda que a dimensão emocional e a psicológica estejam presentes neste trabalho” (Santa Catarina, 2021a, p. 67).</p>
                <p>A partir das respostas ao questionário, foi elaborada a <xref ref-type="table" rid="t02">Tabela 2</xref> com os dados da escola pública e da escola privada, com foco na receptividade ao PV. Mesmo com uma amostra reduzida, foram identificados indícios de certos padrões no que diz respeito à inclusão do componente.</p>
                <table-wrap id="t02">
                    <label>Tabela 2</label>
                    <caption>
                        <title>Para os respondentes, a inclusão do componente Projeto de Vida no Ensino Médio é.</title>
                    </caption>
                    <table frame="hsides" rules="groups">
                        <thead>
                            <tr align="center">
                                <th rowspan="2" align="left">Respostas</th>
                                <th colspan="2">Escola pública</th>
                                <th rowspan="2">  </th>
                                <th colspan="2">Escola privada</th>
                            </tr>
                            <tr align="center" style="border-top-width:thin;border-top-style:solid">
                                <th>n</th>
                                <th>%</th>
                                <th>n</th>
                                <th>%</th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr align="center">
                                <td align="left">Interessante</td>
                                <td>18</td>
                                <td>50,0</td>
                                <td> </td>
                                <td>51</td>
                                <td>41,1</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td align="left">Muito interessante</td>
                                <td>11</td>
                                <td>30,5</td>
                                <td> </td>
                                <td>49</td>
                                <td>39,5</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td align="left">Pouco interessante</td>
                                <td>6</td>
                                <td>16,7</td>
                                <td> </td>
                                <td>18</td>
                                <td>14,5</td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td align="left">Nada interessante</td>
                                <td>1</td>
                                <td>2,8</td>
                                <td> </td>
                                <td>6</td>
                                <td>4,8</td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <attrib>Fonte: Elaborada pelo autor a partir dos dados do questionário aplicado na região do Vale do Itajaí (SC), em 2022.</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Mais de 80% dos estudantes, levando em conta os de escola pública e privada, consideram o PV Interessante ou Muito Interessante, embora isso não signifique que concordem com suas práticas pedagógicas. São índices semelhantes aos apresentados na dissertação de <xref ref-type="bibr" rid="B09">Chagas Filho (2024, p. 170)</xref>, cuja pesquisa avaliou, no ano letivo de 2023, a terceira série do EM de Inhumas (GO): no “C. E. Rui Barbosa, 89,8%; no Colégio Zênite, 88,4%; no CEPI Ary Valadão, 85,7%; no CEPMGMV, 76,9% acharam ‘relevante’ e ‘muito relevante’ a inclusão do PV”.</p>
                <p>Nesta pesquisa, ao relacionar as manifestações dos estudantes provenientes dos dados quantitativos do questionário com os dados qualitativos obtidos nos GFs, observa-se que elas decorrem de um conjunto de fatores, sendo possível destacar quatro aspectos que contribuíram para as expressões favoráveis ao PV:</p>
                <list list-type="order">
                    <list-item>
                        <p>Novidade e ruptura com a monotonia: o PV representa uma leve rajada de ar fresco na grade curricular. Tendo os mesmos componentes curriculares desde os anos iniciais, uma novidade desperta o interesse dos alunos. As características do PV apresentam outras práticas e dinâmicas, com maior interatividade e ênfase na “autodescoberta”, o que ressoa favoravelmente: “<italic>Projeto de vida faz com que os alunos se preparem para a vida adulta, diferente das outras matérias</italic>”, diz um estudante.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>Manifestação pessoal e acolhimento: certa abertura do PV para discutir questões relacionadas à vida do adolescente. No ambiente competitivo da escola, com conteúdo, provas, notas e vestibular, a oportunidade para dialogar sobre aspectos da sua vida e de seu mundo efetivos, compartilhar experiências, sonhos e preocupações, engaja o adolescente na educação: “<italic>O projeto de vida ajuda as pessoas a fazerem as escolhas corretas e também ajuda no nosso dia a dia a lidar com os problemas; Acho a aula de Projeto de Vida importante para a nossa vida, por discutir assuntos que com eles iremos crescer como pessoas</italic>” (Estudante no GF).</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>Avaliação menos “exigente”: embora façam atividades avaliativas no PV, a cobrança por notas e médias finais é menor e menos estressante. Diante da pergunta “<italic>O método avaliativo aplicado no componente curricular Projeto de Vida, quando comparado com os demais componentes curriculares, você considera?</italic>”, mais de 95% dos educandos marcaram que o consideram mais fácil, com atividades diversas sem ter uma prova específica – diferentemente do que acontece com outros componentes.</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>Pensar no futuro: no PV, os alunos refletem sobre metas e aspirações. Ao invés de se limitarem ao estudo de fórmulas e cálculos, que aparentemente não têm ligação direta com o cotidiano, eles debatem sobre carreiras, trabalhos, desafios e oportunidades: “<italic>Acho importante se preparar para o futuro, por isso a aula de projeto de vida é importante</italic>” (Estudante no Grupo Focal).</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>Referente a esse último item, “pensar no futuro”, a <xref ref-type="table" rid="t03">Tabela 3</xref> mostra o índice dos estudantes que veem o PV como uma preparação para o futuro.</p>
                <table-wrap id="t03">
                    <label>Tabela 3</label>
                    <caption>
                        <title>O Projeto de Vida contribui para que você se prepare para o futuro?</title>
                    </caption>
                    <table frame="hsides" rules="groups">
                        <thead>
                            <tr align="center">
                                <th rowspan="2" align="left">Respostas</th>
                                <th colspan="2">Escola pública</th>
                                <th rowspan="2">  </th>
                                <th colspan="3">Escola privada</th>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <th>n</th>
                                <th>%</th>
                                <th>n</th>
                                <th>%</th>
                                <th> </th>
                            </tr>
                        </thead>
                        <tbody>
                            <tr align="center">
                                <td align="left">Sim</td>
                                <td>24</td>
                                <td>66,7</td>
                                <td> </td>
                                <td>60</td>
                                <td>48,8</td>
                                <td> </td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td align="left">Talvez</td>
                                <td>8</td>
                                <td>22,2</td>
                                <td> </td>
                                <td>41</td>
                                <td>33,1</td>
                                <td> </td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td align="left">Não</td>
                                <td>1</td>
                                <td>2,8</td>
                                <td> </td>
                                <td>18</td>
                                <td>14,5</td>
                                <td> </td>
                            </tr>
                            <tr align="center">
                                <td align="left">Não sei</td>
                                <td>3</td>
                                <td>8,3</td>
                                <td> </td>
                                <td>5</td>
                                <td>4,0</td>
                                <td> </td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <attrib>Fonte: Elaborada pelo autor a partir dos dados do questionário aplicado na região do Vale do Itajaí (SC), em 2022.</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>No GF, os estudantes assinalam a relação do PV com o futuro pessoal/profissional.</p>
                <disp-quote>
                    <p>Pesquisador – <italic>“O componente Projeto de Vida ajuda a pensar no futuro?”</italic></p>
                    <p>Estudante 15 – <italic>Muito! Eu já tinha um futuro meio que definido pra mim, mas o Projeto de Vida me ajudou a refinar mais a ideia.</italic></p>
                    <p>Estudante 14 – <italic>Eu também tenho noção do que eu quero ser, quero ser escritora, e como eu já tinha planejado o que eu quero ser, não influenciou muito, mas, por exemplo, em caso da nossa professora, ela é muito querida e eu converso bastante com ela sobre livros, literatura…, então, isso influenciou bastante em meu sonho em ser escritora.</italic></p>
                    <p>Estudante 16 – <italic>No meu ponto, como eu quero seguir no ramo das artes, então me ajuda bastante quando ela fala, faz incentivo para fazer desenhos e boto no papel, é muito bom</italic><xref ref-type="fn" rid="fn14">14</xref><italic>.</italic></p>
                </disp-quote>
                <p>Pode-se destacar características epistemológico-educacionais relevantes do PV, como o entrelaçamento do currículo com o mundo efetivo das vivências dos estudantes, o diálogo, a escuta legítima dos educandos, o destronamento da finalidade da escola centrada nas avaliações e o entrelaçamento do currículo com as expectativas dos estudantes.</p>
            </sec>
            <sec>
                <title>“O Projeto de Vida é importante, porém…”</title>
                <p>Conforme já indicado na <xref ref-type="table" rid="t01">Tabela 1</xref>, no que diz respeito aos estudantes que não têm total certeza sobre o PV, 30,2% estudam na escola privada, enquanto 5,6% estudam na escola pública. No <xref ref-type="table" rid="t04">Quadro 1</xref>, são transcritas algumas falas dos respondentes acerca das limitações do Projeto e sugestões para o PV.</p>
                <table-wrap id="t04">
                    <label>Quadro 1</label>
                    <caption>
                        <title>Críticas com limitações e sugestões ao Projeto de Vida.</title>
                    </caption>
                    <table frame="hsides" rules="rows">
                        <tbody>
                            <tr>
                                <td>- <italic>Vejo muito potencial na inclusão de Projeto de Vida como componente curricular; entretanto, não acho que seja uma oportunidade usufruída em sua totalidade pelo colégio. São tratados temas extremamente importantes, porém de forma superficial e despreparada, muitas vezes sendo difundidas meias verdades que trazem apenas mais desinformação aos alunos que, em grande maioria, não são beneficiados de qualquer maneira pelas aulas.</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td> - <italic>Acredito que a matéria Projeto de Vida é importante; porém, não acho que está sendo levada com seriedade. (...) Acredito que deveríamos aprender como construir um bom currículo para entrar em boas universidades, como ter uma boa rotina de estudos e aprender qual método de estudo é melhor para cada aluno, realizar testes vocacionais e aprender como administrar e ter controle sobre diversos aspectos da nossa vida no futuro; ou seja, saber equilibrar o trabalho, estudo, lazer etc;</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td> - <italic>O Projeto de Vida deveria ser amplamente mais pensado. São faladas brevemente apenas coisas óbvias sobre o futuro e outros assuntos mais interessantes, mas que não são levadas a sério pela maioria dos estudantes. Para ensinar coisas melhores sobre um possível futuro, é preciso se colocar no lugar de cada aluno, ver a situação na visão deles e não criar um modelo fixo que não se encaixa em quase ninguém, como o de agora.</italic></td>
                            </tr>
                            <tr>
                                <td><italic>- As aulas atuais de Projeto de Vida ensinam coisas que muitos já aprenderam ou aprendem em outras aulas durante o ano. Apesar de serem importantes esses assuntos, creio que esse projeto poderia tratar de formas de vivermos no futuro, como nos cuidarmos, como o mundo real funciona e não falar somente de problemas na sociedade.</italic></td>
                            </tr>
                        </tbody>
                    </table>
                    <table-wrap-foot>
                        <attrib>Fonte: Elaborado pelo autor a partir dos dados do questionário aplicado na região do Vale do Itajaí (SC), em 2022.</attrib>
                    </table-wrap-foot>
                </table-wrap>
                <p>Embora uma parcela de estudantes apoie, em sentido mais amplo, o PV, os alunos reclamam por melhorias, tanto com relação às temáticas quanto a respeito da condução das aulas. As manifestações indicam fragilidades, como superficialidade na abordagem, e propõem a inclusão de temas mais próximos da realidade deles, a diversificação das atividades, um dinamismo nas aulas e a adoção de metodologias participativas. Sugerem ainda: maior interatividade (debates, jogos, atividades em grupo e dinâmicas); exploração abrangente de temas (como finanças pessoais, saúde mental, relacionamentos interpessoais, mercado de trabalho, orientação profissional e vocacional) e habilidades práticas (elaboração de currículo, técnicas de estudo, gestão de tempo).</p>
                <p>No GF da escola privada, onde 30,2% dos educandos veem ambiguidades no PV, explicita-se melhor porque almejam mudanças.</p>
                <disp-quote>
                    <p>Pesquisador – <italic>“E você, o que acha do PV?”</italic></p>
                    <p>Estudante 1 – <italic>A matéria em si, eu acho que é muito importante, pois vai desenvolver o nosso caráter e uma forma inteligente de pensar sobre mim e sobre os outros. Só que, o jeito que ela é aplicada… é horrível aqui na escola. Deve ser também no restante do país… só que, primeiro: o professor não é adequado. Segundo - o método usado para distribuir o conteúdo para os alunos não é adequado fazer. E, terceiro, eu acho que os alunos mesmo não estão apresentando ser agradável (inaudível), mas aí acho que é um problema muito maior, mas aí teria que a cultura que eles têm em relação à matéria de desenvolvimento pessoal.</italic></p>
                </disp-quote>
                <p>Os registros no <xref ref-type="table" rid="t04">Quadro 1</xref> e as partilhas no GF evidenciam três características entre críticas e sugestões.</p>
                <list list-type="order">
                    <list-item>
                        <p>Insatisfação com o trabalho docente: a atuação docente no PV gera insatisfação pela ausência de um planejamento consistente e de estratégias que relacionem os debates com os projetos dos estudantes. Mencionam a necessidade de um enfoque mais reflexivo, que torne o PV significativo para eles. <xref ref-type="bibr" rid="B20">Freire (2021a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B21">2021b</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B17">2021c</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B19">2021d</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B18">2021e)</xref>, em momentos diversos, opôs-se à educação de mão única, aquela que o professor fala e o estudante apenas ouve; o professor sabe tudo e o estudante nada sabe. Nessa compreensão de educação, o educando não teria em que contribuir, somente receber e reproduzir. Contrário a isso, para Freire, “ensinar exige respeito aos saberes dos educandos” (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freire, 2021a, p. 31</xref>).</p>
                        <p>As manifestações dos estudantes destacam a urgência de que as aulas sejam ministradas por profissionais engajados e competentes, capazes de conduzi-las de maneira envolvente e inspiradora, com postura crítica, respeitosa, sem deixar de lado as suas responsabilidades e obrigações no preparo das aulas e na condução dos conteúdos. A relação pedagógica deve ser fincada no exercício democrático, em circunstâncias existenciais e na autonomia do educando (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Freire, 2021b</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B17">2021c</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B19">2021d</xref>).</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>Falta interatividade: ausência de interatividade nas aulas do PV, de métodos mais dinâmicos e de estímulo à participação ativa, evitando a mera exibição de vídeos e redação de textos. “As crianças contemporâneas, na sua maioria, não fracassam na escola pelo nível de dificuldade de uma alta exigência escolar, mas pelo tédio e falta de interesse. A relevância se tornou o fator crucial para garantir a permanência dos indivíduos na escola” (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Pérez Gómez, 2015, p. 39</xref>).</p>
                    </list-item>
                    <list-item>
                        <p>Conteúdos e abordagem irrelevantes: abordagens desconectadas da realidade. Ao solicitar profundidade nas aulas, os alunos se mostram capazes de avaliar processos e propor melhorias. Os educandos são agentes ativos na construção do saber (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Freire, 2021a</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B16">2022)</xref>; eles constroem conhecimento de forma crítica e contextualizada em suas realidades.</p>
                    </list-item>
                </list>
                <p>A insatisfação dos educandos com a superficialidade e a falta de conexão do PV com suas vidas assinala características epistemológico-educacionais freireanas, pois eles desejam temas que os preparem efetivamente para os desafios do mundo real. Por óbvio, as compreensões dos alunos não se restringem ao PV, mas abarcam os demais componentes do cotidiano do fazer a escola, que ao invés de priorizar a quantidade necessita buscar qualidade, maior profundidade e conexão com a realidade.</p>
                <p>Uma parcela das informações geradas converge com os estudos de <xref ref-type="bibr" rid="B15">Ferreira <italic>et al.</italic> (2021)</xref> que também identificaram um anseio por um ensino mais dinâmico e participativo entre os alunos do primeiro ano do EM. As críticas à aula expositiva e a valorização de atividades que promovam a interação e a troca de conhecimentos são pontos em comum. Em geral, os educandos valorizam a ideia do PV; todavia, alguns manifestam insatisfações dirigidas ao modelo pedagógico dos docentes e da escola e sugerem aproximar a educação à realidade das demandas juvenis.</p>
                <p>Para muitos pesquisadores (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Dallabrida, 2018</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B22">Frigotto, 2021</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B23">2022</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B30">Motta; Frigotto, 2017</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B40">Silva e Araújo, 2021</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B43">Silva; Fávero e Silveira, 2023</xref>), a reforma do EM, regulamentada pela Base Nacional Comum Curricular, além das fragilidades, é um retrocesso, pois descaracteriza as feições de educação básica e prejudica a nova geração de estudantes, sobretudo das escolas públicas. O Projeto de Vida tem sido recebido de formas variadas (<xref ref-type="bibr" rid="B07">Castro; Ribeiro; Waldhelm, 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B31">Musallam; Lorenset, 2023</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B46">Zan, 2023</xref>), associado a interesses neoliberais de mercado (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Martins; Fraga; Junqueira; 2024</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B42">Silva, Oliveira; 2023</xref>).</p>
                <p>Em outro GF, estudantes denunciam certa mistificação da realidade presente na proposta do PV.</p>
                <disp-quote>
                    <p>Pesquisador – <italic>“Esse ano vocês começaram a ter aula de Projeto de Vida. O que vocês acham desse componente curricular?”</italic></p>
                    <p>Estudante 15 – <italic>Até agora o que eu entendi, que tava se autodescobrindo, o que a gente sonha, o que a gente pretende fazer, o que a gente pode estudar. Olha,…é uma droga! Eu não quero crescer (risos). E o Projeto de Vida só está me mostrando como que o mundo é, mas ele mostra o lado bom, o ruim eu vejo fora da sala.</italic></p>
                    <p>Pesquisador – <italic>“…ele mostra um lado mágico do mundo, é isso?”</italic></p>
                    <p>Estudante 15 – <italic>Ele mostra o lado mais mágico, mais tipo “ah você vai estudar e você vai conseguir”, mas não é assim.</italic></p>
                    <p>Pesquisador – <italic>Não?</italic></p>
                    <p>Estudante 15 – <italic>Não! Tem muita gente ainda mais capacitada do que você. Não adianta eu só estudar uma certa coisa para (inaudível). Você tem que ser o melhor…</italic></p>
                    <attrib>(Trecho do GF no 1º ano1 – manhã de 7 nov. 2022 - Epú)<xref ref-type="fn" rid="fn15">15</xref>.</attrib>
                </disp-quote>
                <p>A estudante assinala que o PV tende a encobrir o debate sociológico e político acerca da estrutura social e econômica do capitalismo e alinha o pensamento à retórica psicológica de fundo motivacional. A educação problematizadora objetiva, além de informar, contribuir na formação de cidadãos conscientes acerca dos condicionamentos das estruturas. Ao apontar que o PV <italic>mostra o lado bom, o ruim eu vejo fora da sala</italic>, a aluna assume a perspectiva freireana de educação como espaço de diálogo com o mundo em toda a sua complexidade, evitando um otimismo ingênuo e superficial. Ao ressaltar que o PV mostra apenas o lado mágico do mundo, marcado por promessas meritocráticas de sucesso, a estudante denuncia o descompasso entre esse discurso e a realidade cotidiana dos alunos.</p>
                <p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B12">Dardot e Laval (2016)</xref>, a ideologia neoliberal incita os estudantes à constante concorrência, visando aprimorar a “performance” deles. Dissemina, pelas modulações da educação, a crença de que o sucesso ou o fracasso, no volátil jogo do mercado, depende exclusivamente do indivíduo, pois o mundo classifica e premia os melhores, descartando os de menor mérito. Ela promove a formação de indivíduos competitivos, alinhados aos valores do mercado, encobrindo as desigualdades e os problemas estruturais que compõem a realidade (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Dardot; Laval, 2016</xref>). Ao mostrar “o lado bom” e ignorar “o ruim” das desigualdades estruturais, o PV deixa de questionar as condições socioeconômicas que atravessam a vida deles e limita uma compreensão mais profunda das determinações sociais que influenciam seus percursos. Assim, salienta uma visão meritocrática baseada na motivação individual, negligenciando que as oportunidades não são iguais para todos e sugerindo que o esforço pessoal seria o principal determinante do sucesso.</p>
                <p>Para <xref ref-type="bibr" rid="B21">Freire (2021b</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B17">2021c</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B19">2021d</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B18">2021e)</xref>, a escola, como instituição formadora de cidadãos, necessita promover, em suas práticas pedagógicas, a conscientização crítica, rejeitando os discursos que naturalizam a meritocracia. Requer-se que ela desenvolva abordagens que reconheçam as desigualdades estruturais que afetam os estudantes. A educação deve problematizar a realidade dos educandos e fomentar mudanças nas condições de exploração em que vivem.</p>
                <p>Em articulação com a conjuntura social e cultural mais ampla, a escola contribui com o modo de os estudantes compreenderem o mundo. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B18">Freire (2021e, p. 202)</xref>, “não há prática educativa que não se <italic>direcione</italic> para um certo objetivo [...]. A <italic>diretividade</italic> da prática educativa explica a sua politicidade [...], a impossibilidade de ser um que fazer ‘assexuado’ ou neutro”. Ele assinala que toda prática educativa é, em essência, um ato político, visto que ela está imbuída de intenções que ultrapassam o ato de ensinar e aprender. A educação, por não ser neutra, reproduz ou desafia as estruturas de poder, adapta-as ao mundo dado ou as emancipa criticamente.</p>
            </sec>
        </sec>
        <sec sec-type="conclusions">
            <title>Considerações Finais</title>
            <p>A partir da análise das compreensões dos educandos, com base no questionário e nos GFs, foram identificadas várias características epistemológico-educacionais que permeiam o PV. Em linhas gerais, com relação às duas escolas participantes, uma da rede pública e outra da rede privada de SC, podem ser ressaltadas as seguintes características epistemológicas presentes no Projeto de Vida e que o diferenciam dos demais componentes curriculares.</p>
            <list list-type="bullet">
                <list-item>
                    <p>Entrelaçamento entre o componente curricular e o mundo efetivo das vivências dos estudantes.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Maior diálogo entre educador e educando, voltado à escuta legítima dos estudantes na efetivação do currículo, sobretudo se confrontado com os demais componentes do currículo da escola.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Deslocamento dos fins do processo escolar, tradicionalmente subordinados ao rendimento nas avaliações, abrindo espaço para os anseios dos estudantes.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Aliança entre a vivência do currículo e as expectativas dos estudantes, instigando-os a uma mirada acerca do futuro.</p>
                </list-item>
                <list-item>
                    <p>Alinhamento da retórica com princípios neoliberais na formação das juventudes.</p>
                </list-item>
            </list>
            <p>A expressiva aprovação do PV pelos estudantes ocorre porque o projeto rompe com a monotonia da vivência do currículo escolar. Ele oportuniza um espaço de expressão de assuntos vivenciais, propicia uma avaliação menos tradicional e, por fim, estimula um debate voltado ao futuro. A identificação dos estudantes com os temas abordados também ajuda na opinião favorável.</p>
            <p>O apreço dos estudantes pelo PV não implica, necessariamente, que ele deva ser considerado um acerto da reforma do EM. Conforme se pode ver nas análises, em sua maioria, a aceitação do PV se dá por aspectos pedagógicos e por uma mudança no <italic>telos</italic> da educação – não a mera transmissão de conhecimento, mas a compreensão de si e do mundo. Isso não se alcança pela inclusão de um componente, mas por uma transformação do todo da escola, prescindindo do PV.</p>
            <p>O saber presente na voz dos estudantes mostrou que é salutar ter cautela antes de endossar ou excluir um componente com base apenas em opiniões parciais e pontuais. O entusiasmo dos alunos em relação ao PV pode ser reflexo da novidade da abordagem metodológica, temática e avaliativa, bem como da busca por conexão com as vivências deles. Para ampliar a compreensão, pesquisas mais aprofundadas, com análise crítica, são necessárias, em contextos mais amplos da educação na atualidade.</p>
            <p>Conforme visto, o PV também é uma forma de intervenção na vida do adolescente. Quando o discurso foca no sucesso individual, isso também pode conduzir o estudante a subjetivar esses valores, compreendendo o mundo como individualista e competitivo. Em vez de problematizar a realidade, incute um mascaramento das desigualdades estruturais, atribuindo ao indivíduo a responsabilidade exclusiva pelo seu próprio “destino”. A reflexão sobre as características epistemológico-educacionais permite identificar que tipo de intervenção o PV promove no cotidiano educacional, ao longo das aulas. Permite, também, pensar acerca dos fins que são visados pela reforma, via inserção do novo componente na formação dos adolescentes.</p>
        </sec>
    </body>
    <back>
        <fn-group>
            <fn fn-type="other">
                <p>Artigo elaborado a partir da tese de R. J. MEZZOMO, intitulada “O Projeto de Vida no Ensino Médio em SC: as características epistemológico-educacionais a partir da ótica de estudantes e professores”. Universidade Regional de Blumenau, 2024.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other">
                <label>Como citar este artigo:</label>
                <p> Mezzomo, R. J.; Kraemer, C. Características epistemológico-educacionais do componente curricular Projeto de Vida: compreensões de estudantes. <italic>Revista de Educação PUC-Campinas</italic>, v. 30, e15979, 2025. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.24220/2318-0870v30a2025e15979">https://doi.org/10.24220/2318-0870v30a2025e15979</ext-link></p>
            </fn>
            <fn fn-type="financial-disclosure">
                <label>Apoio</label>
                <p>Bolsa de estudo UNIEDU/FUMDES - Pós-graduação, em atendimento a Lei Complementar 407, de 25 de janeiro de 2008, Decreto nº 470, de 17 de janeiro de 2020 Pós-graduação. Processo SED 00195992/2024</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn05">
                <label>5</label>
                <p>O EMITI foi um projeto da Secretaria de Estado de Educação de Santa Catarina, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, implantado em 32 escolas e que vigorou entre 2017 e 2020.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn06">
                <label>6</label>
                <p>Para preservar o anonimato das duas escolas, optou-se por citar o nome da região em vez da cidade.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn07">
                <label>7</label>
                <p>Embora o artigo de <xref ref-type="bibr" rid="B02">Becker (1994)</xref>, <italic>Modelos Pedagógicos e modelos epistemológicos</italic>, seja uma referência importante no debate sobre tais modelos, o propósito de nosso artigo tem outro foco, diferente dos modelos diretivos, modelos não-diretivos e modelo relacional discutidos por Becker.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn08">
                <label>8</label>
                <p>Uma das escolas adotou o livro didático <italic>(Des) envolver e (Trans) formar</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B08">Cericato, 2020</xref>).</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn09">
                <label>9</label>
                <p>Muitas vezes, a frase é atribuída a Paulo Freire, mas, na realidade, é de seu amigo Carlos <xref ref-type="bibr" rid="B03">Brandão (2008)</xref>, autor do livro <italic>Minha casa, o Mundo</italic>. Brandão, que faleceu em 2023, defendeu ativamente o legado freireano.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn10">
                <label>10</label>
                <p>Esses percentuais totalizam 99,5% e a reportagem não informa a origem dos 0,5% restantes. Diante disso, via e-mail em 13 de março de 2024, foi encaminhada ao INEP uma solicitação de esclarecimento. Em resposta, veio a explicação: “O trecho (da reportagem) em que são apresentadas taxas percentuais de matrículas nas redes do EM não informa qual a porcentagem de estudantes matriculados na rede municipal. Esse é o motivo da soma das taxas não corresponder a 100% [...]”.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn11">
                <label>11</label>
                <p>Os registros dos educandos enquadrados como <italic>Ambiguidades</italic> na Tabela 1, mesclam, simultaneamente, dizeres favoráveis e contrários ao PV. Eles são discutidos na próxima seção “Projeto de Vida é importante, porém...”</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn12">
                <label>12</label>
                <p>Os registros classificados como “desconexo do tema” incluem manifestações diversas que, embora também façam referência ao PV, não se enquadram nas categorias de respostas favoráveis, contrárias ou ambíguas.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn13">
                <label>13</label>
                <p>Mantivemos as frases conforme redigidas por eles no <italic>Questionário via Google Forms</italic>.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn14">
                <label>14</label>
                <p>A estudante destaca o incentivo docente como um elemento decisivo na condução do PV.</p>
            </fn>
            <fn fn-type="other" id="fn15">
                <label>15</label>
                <p>A razão de constar inaudível está atrelada ao fato de os estudantes terem feito comentários ao mesmo tempo, o que impossibilitou entender o que de fato falaram.</p>
            </fn>
        </fn-group>
        <ref-list>
            <title>Referências</title>
            <ref id="B01">
                <mixed-citation>Biesta, G. <italic>Para além da aprendizagem</italic>: educação democrática para um futuro humano. Rio de Janeiro: Autêntica, 2013.</mixed-citation>
                <element-citation publication-type="book">
                    <person-group person-group-type="author">
                        <name>
                            <surname>Biesta</surname>
                            <given-names>G.</given-names>
                        </name>
                    </person-group>
                    <source><italic>Para além da aprendizagem</italic>: educação democrática para um futuro humano</source>
                    <publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
                    <publisher-name>Autêntica</publisher-name>
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