A PRESENÇA DO TEMA INDIO NO MODERNISMO
Resumo
O Modernismo (1922-1945) vai surgir como um movimento cultural de carácter coletivo, ideologicamente vinculado às elites paulistanas, porém alicerçado, sintomaticamente, na criação de uma arte de carácter nacionalista. Apesar desta elite ser cosmopolita, altamente receptiva, inspirando-se de maneira algo caótica nas estéticas européias, como muito bem observa Antonio Cândido, não deixa de "voltar-se como àquelas para a valorização da arte primitiva, para o folclore, para a etnografia, instrumentos capazes de recuperar os elementos arcáicos e populares desprezados pela cultura acadêmica. Isto é, os elementos que, no Brasil, continuavam a aflorar com grande intensidade na vida cotidiana" 1.
Referências
(1) Candido, Antônio. Literatura e Sociedade. Edit. Nacional, São Paulo, 1967.
(2) Este foi o tema de nossa tese de livre-docência "O índio na pintura acadêmica brasileira do século XI X ( Um estudo etno-sociológico )". Tese defendida em 11/1977 na Escola de Comunicações e Artes, USP.
(3) Amaral, A. Tarsila, sua obra e seu tempo. Edit. Perspectiva, São Paulo, 1975.
(4) Em 1926, o rodapé do Diário de Noticias, de São Paulo, publicava, diariamente, em capítulos, a adaptação de Monteiro Lobato das aventuras de Hans Staden entre os "selvagens" do Brasil. Desta mesma época é um texto de B.Cendrars que contava as peripécias de um silvícola condenado à prisão, por prática antropofágica.
(5) Trata-se da exposição - mostra oficial - do Brasil no exterior: Exposição de Arte no Roerich Museum, em New York , de 11 a 30/10/1930. No catálogo da exposição, o crítico Francis Grant disse: "Antonio Gomide is representeei in this exhibition by tropical works, lndian Archers and several paintings of indigenes. One is heald the rythm, beauty of colour, and inter weaving of colour in thesa pictures".
(6) Batista, M. M; Porto-Alegre, T; Lima. U.S. de. Brasil, 1ª tempo modernista 1917/29, IEB, São Paulo, 1972.
(7) Idem, ibidem.
(8) Obra publicada pela i;dition Tomer, Paris.
(9) Exposição que foi apoiada por Monteiro Lobato e O Estado de S. Paulo causou fortes polêmicas/ com o Jornal do Comércio e a Fanfulla que, embora não deixando de lhe reconhecer valor, o chamaram, depreciativamente, de "futurista".
(10) No ano de 1923, em Paris, é publicado Légendes, Croyances et Talismans des lndiens de l'Amazonie ( adaptação de L Ducharte). Numa das ilustrações: Lenda de laci ( Comment- est née la lune) observa-se a figura dos personagens principais com
traços fisionômicos orientais. O mesmo se vê na Mani-Oca ( Maison de Mani ). Desenhou os costumes e as máscaras de Légendes lndiennes de I' Amazonie para o recital de dança de Malkowsky, encenando teatro/Femina. Malkowsky apresentou as Légendes no teatro des Champs Elysées, em julho de 1925.
Catálogos: Exposição Vítor _Brecheret. FAU/USP, São Paulo, 1962.
Exposição Vicente do Rego Monteiro. MAC/USP. São Paulo, 1971.