Civilização e habitus fronteiriço na obra de José de Melo e Silva |Civilization and frontier habitus in the work of José de Melo e Silva

André Soares Ferreira

Resumo


O presente artigo visa refl etir sobre aspectos constituintes do habitus fronteiriço a partir das obras “Fronteiras guaranis” e “Canaã do Oeste”, de José de Melo e Silva. As referidas obras integram o corpus historiográfico sul-mato-grossense e revelam elementos integrantes do
processo civilizador da fronteira Brasil-Paraguai. Utiliza-se a Teoria dos Processos Civilizadores, desenvolvida pelo sociólogo alemão Norbert Elias, como aporte teórico. Habitus, entendido como segunda natureza, desenvolve-se no processo histórico-social que se constitui o desenvolvimento das diversas sociedades marcadas por fi gurações interdependentes. Compreende-se que o
habitus fronteiriço criticado por Melo e Silva na década de 1930, revela aspectos da constituição e dos processos civilizadores da fronteira Brasil-Paraguai. Suas observações revelam as interdependências dos processos sociais e o caráter histórico e social da constituição da identidade regional. Conclui-se que o processo civilizador fronteiriço está em curso e que as relações interdependentes entre brasileiros e paraguaios, descendentes guaranis, produziram um habitus distinto e característico da região.


Palavras-chave


Brasil-Paraguai; Educação; Fronteira; Historiografia; Processo civilizador

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DOI: https://doi.org/10.24220/2318-0870v24n3a4605

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