Educação em comunidades amazônicas | Education in Amazonian communities

Gláucio Campo Gomes Matos, Maria Beatriz Rocha Ferreira

Resumo


O artigo traz uma reflexão sobre a educação nas comunidades amazônicas, mai especificamente naquelas localizadas às margens dos rios do Estado do Amazonas. A pesquisa está alicerçada na teoria de Norbert Elias e no trabalho de campo de cunho etnográfi co. Os
amazônidas representam uma miscigenação oriunda de diferentes grupos étnicos e vivem em condições sui generis, adaptados ao clima quente e úmido e ajustando-se às variações dos períodos de enchente e vazante do rio, e aos períodos da chuva e estiagem. Cultivam pequenos roçados para subsistência, praticam o extrativismo, organizam-se em atividade coletiva denominada de “puxirum”, cujo objetivo é a ajuda mútua, e têm acesso à educação institucionaliza advinda das escolas de características urbanas. O conhecimento “tradicional” utilizado na vida diária nessas comunidades tem raízes nas culturas ancestrais dos povos indígenas, mas foi sendo ressignificado de forma interconectada aos processos de mudanças sociais. A educação escolarizada faz parte desse arcabouço do conhecimento e nos últimos anos tem caminhado a passos largos no universo amazônico, muitas vezes sem valorizar o saber fazer do amazônida. O desafio na educação das comunidades ribeirinhas é considerar a importância do conhecimento da vida diária e introduzi-lo no conteúdo da educação institucionalizada, pois foi ele, ao longo dos séculos, a permitir a manutenção da vida desses grupos humanos no universo amazônico.


Palavras-chave


Comunidades ribeirinhas; Educação; Figurações sociais.

Texto completo:

PDF

Referências


Anchieta, J. Arte de grammatica da lingva mais vsada na Costa do Brasil. Coimbra: Antonio Mariz, 1595.

Benchimol, S. Amazônia: formação social e cultural. Manaus: Editora Valer, 1999.

Brasil. Camara dos Deputados. Decreto-lei n°2.848, de 7 de dezembro de 1940. Brasília: Camara dos Deputados, 1940. Disponível em:. Acesso em: 30 mar. 2019.

Brasil. Constituição da República Federativa do Brasil de 5 de outubro de 1988. Brasília: Senado Federal: 1988. Disponível em:

. Acesso em: 30 mar. 2019.

Brasil. Presidência da República. Lei n°9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece diretrizes e bases da educação nacional.

Brasília: Casa Civil, 1996. Disponível em: . Acesso em: 30 mar. 2019.

Brasil. Ministério da Educação. Resolução CNE/CEB 1, de 3 de abril de 2002: Institui diretrizes operacionais para a Educação Básica nas escolas do campo. Brasília: MEC, 2002. Disponível em . Acesso em: 30 mar. 2019.

Brasil. Ministério da Educação. Resolução nº2, de 28 de abril de 2008: Estabelece diretrizes complementares, normas e princípios

para o desenvolvimento de políticas públicas de atendimento da Educação Básica do Campo. Brasília: MEC, 2008. Disponível

em: . Acesso em: 30 mar. 2019.

Burger, L.M.; Richter, H.G. Anatomia da madeira. São Paulo: Nobel, 1991.

Elias, N. O processo civilizador: formação do Estado e civilização. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993. p.193.

Elias, N. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994a. p.132.

Elias, N. O processo civilizador: uma história dos costumes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994b. p.64.

Elias, N. Teoria simbólica. Oeiras: Celta Editora, 1994c. p.92.

Elias, N. Sobre o tempo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

Elias, N. Tecnização e civilização. In: Neiburg, F.; Waizbort, L. (Org.). Estado, processo, opinião pública. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006. Cap. 2, p.35-68. (Escritos e Ensaios, v.1).

Elias, N. Introdução à sociologia. 4. ed. Lisboa: Edições 70, 2011. p.139-141.

Gambini, R. Espelho índio: a formação da alma brasileira. São Paulo: Axis Mundi/Terceiro Nome, 2000.

Geertz, C. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1989. p.20.

Goudsblom, J. A vergonha: uma dor social. In: Gebara, A.; Wouetrs, C. (Org.). O controle das emoções. João Pessoa: Editora

Universitária da UFPB, 2009. p.56-59.

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Ideb: Apresentação. Brasília: MEC, c2018. Disponível em:

. Acesso em: 30 mar. 2019.

Landini, T.S. Sociologia de Norbert Elias. Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais, n.61, p.91-108, 2006.

Loureiro, A.J.S. O Amazonas na época imperial. 2. ed. Manaus: Editora Valer, 2007.

Marques, A.H.O. Breve história de Portugal. 3. ed. Lisboa: Editorial Presença, 1998.

Matos, G.C.G. Atividades corporais: uma estrategia de adaptação biocultural numa comunidade rural do Amazonas. 1996. 213f.

Dissertação (Mestrado em Educação Física) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1996.

Matos, G.C.G. Práticas socioculturais, figuração, poder e diferenciação em Bicó, Cuiamucú e Canela-Fina: comunidades amazônicas. 2008. 264f. Tese. (Doutorado em Educação Física) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2008.

Matos, G.C.G. Ethos e figurações na hinterlândia amazônica. Manaus: Valer/Fapeam, 2015. p.39-206.

Moran, E.F. A ecologia humana das populações da Amazônia. Petrópolis: Vozes, 1990.

Pasquis, R. et al. Reforma agrária na Amazônia: balanço e perspectivas. Cadernos de Ciências e Tecnologia, v.22, n.1, p.83-96, 2005.

Posey, D.A. et al. A ciência dos mebêngôkre: alternativas contra a destruição. Belém: Museu Paraense Emílio Goeldi, 1987. p.13.

Ribeiro, B.G. Os índios das águas pretas: modo de produção e equipamento produtivo. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Santos, F.J. História geral da Amazônia. 3. ed. Rio de Janeiro: MEMVAVMEM, 2009. p.38.

Silva, M.C. O país do Amazonas. Manaus: Editora Valer, 2004.

Teixeira, C.C. Servidão humana na selva: o aviamento e o barracão nos seringais da Amazônia. Manaus: Editora Valer/Edua, 2009.

Teixeira, W.G.T. et al. (Org.). As terras pretas de índio da Amazônia: sua caracterização e uso deste conhecimento na criação de novas áreas. Manaus: Embrapa Amazônia Ocidental, 2010.

Wagley, C. Uma comunidade amazônica. 3. ed. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1988.




DOI: https://doi.org/10.24220/2318-0870v24n3a4604

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Revista de Educação PUC-Campinas

ISSNe 2318-0870 (eletrônico)
ISSN 1519-3993 (impresso)

Este site é melhor visualizado utilizando navegador gratuito Firefox.