A educação comparada e a didática

Jaime Cordeiro

Resumo


Neste artigo, pretende-se examinar a situação atual da educação comparada como disciplina acadêmica e a presença do raciocínio comparado nas falas sobre educação na sociedade em geral. Parte-se de alguns exemplos em que esse raciocínio está presente hoje, para, em seguida, examinar a trajetória da disciplina e seu papel no plano das organizações internacionais e na formulação das políticas públicas de educação em todo o mundo. Desde seu início, a educação comparada se ocupou de observar e descrever os sistemas educativos dos países vistos como mais avançados, com o propósito de oferecer subsídios para a reforma do sistema escolar nacional e, ao mesmo tempo, para constituir uma ciência da educação. Ela teve grande desenvolvimento até meados do século XX, mas, a certa altura, por uma série de razões, perdeu prestígio nos meios acadêmicos, na medida em que passou a ser vista como intimamente atrelada ao poder, como pesquisa aplicada. Já nas últimas décadas, vem ocorrendo uma espécie de renascimento ou de revitalização da disciplina, no entanto com outras perspectivas teóricas e com outros objetivos, voltados para a constituição de perspectivas mais científicas da educação. Encerra-se o artigo com a discussão das possibilidades abertas pelas novas perspectivas da educação comparada, em particular a análise sócio-histórica, para as pesquisas na área da Didática.

Palavras-chave: Didática. Educação comparada. Sistema educacional.


Palavras-chave


Didática; Educação comparada; Sistema educacional

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DOI: https://doi.org/10.24220/2318-0870v20n2a2994

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