Educação física escolar, esportes e normalização: o dispositivo de gênero e a regulação de experiências corporais

Vagner Matias do Prado, Arilda Ines Miranda Ribeiro

Resumo


As práticas da educação física escolar podem contribuir para a marcação social de diferenças baseadas no gênero e na sexualidade e hierarquizar os sujeitos a partir da atribuição de critérios como macho/fêmea, masculino/feminino e heterossexual/homossexual. Com o aporte dos estudos de inclinação pós-estruturalista e teoria queer problematizamos como as normas de gênero regulam suas intervenções pedagógicas a partir da implementação dos conteúdos esportivos. Por meio de entrevistas semiestruturadas, geramos narrativas sobre experiências de homossexuais quando cursaram aulas de educação física na educação básica. Os resultados permitem inferir que os esportes são comumente inseridos nas aulas dentro de um modelo de rendimento, competitividade e exclusão baseados na ótica do gênero. Essa inserção carrega valores de inferiorização do considerado como feminino e estigmatização de homens que não performatizam o ideal de masculinidade e virilidade preconizado por algumas práticas esportivas.

Palavras-chave: Educação física escolar. Gênero. Homossexualidades. Narrativas.


Palavras-chave


Educação física escolar; Gênero; Homossexualidades; Narrativas

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DOI: https://doi.org/10.24220/2318-0870v19n3a2854

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