A permanência do sagrado na sociedade secularizada

Glauco Barsalini

Resumo


Em Totem e tabu, Sigmund Freud resgata o termo sagrado dentre os romanos, associando-o ao significado do termo tabu, para os polinésios, os quais atribuíam a tabu a conotação de “santo, consagrado”, por um lado, e de “inquietante, perigoso, proibido e impuro”, por outro. O antropólogo René Girard desenvolve, especialmente a partir de estórias da mitologia, instigante tese a respeito do sacrifício e do que ele denomina crise sacrificial no mundo moderno. O centro de suas discussões é a figura do bode expiatório. Finalmente, Giorgio Agamben identifica a atualidade do debate sobre o sagrado no mundo secularizado contemporâneo, tendo em vista a figura do homo sacer, aquele que está fora do amparo da lei. Pretende-se, nesse artigo, explorar a possível ligação entre os conceitos de tabu, de bode expiatório e de homo sacer. Quer-se, com tal investigação, contribuir para as discussões atuais a respeito da presença do elemento religioso sobre o político e o jurídico na contemporaneidade.

Palavras-chave: Bode expiatório. Homo sacer. Tabu. Totem.

Palavras-chave


Bode expiatório. Homo sacer. Tabu. Totem.

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DOI: https://doi.org/10.24220/2447-6803v40n1a3230

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