Notícias

Chamada 2 - Revista Pós-Limiar

 

Escritas de si na contemporaneidade: pactos e desdobramentos

 

Editores Associados para o dossiê:

Profa. Dra. Carolina Duarte Damasceno (UFU)

Prof. Dr. Júlio de Souza Valle Neto (UNIFESP)

 

As escritas pessoais, pautadas pela memória e pela (re)construção de imagens do passado e de si, sempre apresentaram uma tendência a desembocar na invenção, a despeito das promessas de sinceridade e fidelidade à experiência vivida. Porém, embora o espaço entre as escritas de si e o universo ficcional tenha sido sempre fronteiriço, os escritores passaram a problematizá-lo, mais sistematicamente, a partir do século XX. Agudiza-se, então, a consciência de que o relato do passado é moldado pela memória e pela imaginação.

Na contemporaneidade, tornaram-se ainda mais inglórias as tentativas de “transformar o matagal da literatura do eu em jardim à francesa” (LEJEUNE, 2014, p. 21). Com a crítica à noção de sujeito, convenção de mais a mais questionada, uma pergunta essencial para os gêneros pessoais – quem é o “eu” que escreve – ganha novas dimensões.

Juntamente com os novos modos de conceber e expressar aquilo que se entende por identidade, emerge a questão da atitude do leitor diante desses relatos de si. Narrativa “cujo autor, narrador e protagonista compartilham da mesma identidade nominal e cuja denominação genérica indicia que se trata de um romance” (LECARME, 2014, p. 68), a autoficção apresenta-se como exemplar desse processo: ao suspender deliberadamente a confiança no caráter fatual da narrativa, instaura um pacto de leitura ambíguo, bastante distinto do “pacto autobiográfico” proposto por Lejeune.

Destaca-se também, no campo literário atual, o que Diana Kingler (2012) chamará de um “retorno do autor”. Para além do campo literário, também nas artes visuais é possível verificar esse movimento, traduzido pelo imperativo “faz de sua vida uma obra de arte” (BOURRIAUD, 2011, p. 18). De fato, a figura do autor, alvo de questionamentos e críticas a partir do final da década de 50 volta à cena e assume novos papéis na cultura midiática, alimentando, ao que parece, novos “pactos” de leitura e consumo.

Diante desse cenário, a revista Pós- limiar (número 2, volume 2) acolherá reflexões sobre as repercussões éticas e estéticas das escritas de si, consideradas de maneira ampla (autoficção, diários, correspondências, ensaios, livros de artistas etc) e abrangendo trabalhos que as abordem, dentre outras possibilidades:

• enquanto forma de expressão marcadamente literária;

• enquanto matéria multidisciplinar (em seus veios filosóficos, educacionais, psicanalíticos, historiográficos, etnográficos etc.);

• enquanto documento (de estudo historiográfico, antropológico, literário);

• em suas consequências para noções-chave da crítica (como o conceito de autor), bem como para variadas correntes da teoria literária;

• como ponto de indagação privilegiado na compreensão de diferentes obras em língua portuguesa e estrangeira – enfim, como forma de reabrir a discussão em seus múltiplos pactos e desdobramentos.

Os artigos completos deverão ser enviados até 13 de maio de 2019 pelo site: <https://seer.sis.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/pos-limiar/user/register>

As instruções para o envio do artigo estão disponíveis em: <https://seer.sis.puc-campinas.edu.br/seer/index.php/pos-limiar/about/submissions#onlineSubmissions>.

 
Publicado: 2019-01-30
 
1 a 1 de 1 itens