Ouro Preto, Vila (Des)Aparecida: a difícil relação entre o centro histórico e suas áreas de entorno

Vanessa Borges Brasileiro, André Guilherme Dornelles Dangelo

Resumo


A condição urbana atual em diversos centros históricos brasileiros aponta para uma série de conflitos e contradições, seja de ordem teórica, seja de ordem operacional, que ameaçam a conservação do patrimônio edificado. Em Ouro Preto, cidade que recebeu o título de Patrimônio da Humanidade em 1980, estes problemas — ainda que não lhe sejam exclusivos, afligindo outros tantos centros históricos legalmente protegidos — ganham expressividade, em especial pela excepcionalidade dos bens ali existentes, cujo entorno desprovido de qualidade urbanística, arquitetônica e paisagística revela uma visão míope da teoria brandiana, em que a instancia histórica se sobrepõe, ou mesmo aniquila, o valor da instancia estética. Casos como o da Vila Aparecida, merecem a atenção dos especialistas, pois não somente apontam para uma inexistência/deficiência na elaboração dos planos de gestão, como consolidam uma pratica que caminha na contramão da experiência internacional, posto que desconstroem os valores universais excepcionais (Universal Outstanding Values) que motivaram um desejo de fazer permanecer formas geradas no passado. Discutir o problema da preservação dos centros históricos e a gestão das áreas de entorno e o objetivo deste ensaio.

PALAVRASCHAVE: Áreas de entorno. Centros históricos. Ouro Preto. Universal Outstanding Values. Vila Aparecida.


Palavras-chave


Áreas de entorno. Centros históricos. Ouro Preto. Universal Outstanding Values. Vila Aparecida.

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DOI: https://doi.org/10.24220/2318-0919v14n2a3884

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