A criança e o espaço vivido favela: a complexidade do espaço nas interações da infância

Glauci Coelho, Cristiane Rose Duarte, Vera M. R. de Vasconcelos

Resumo


Conhecer a experiência urbana de crianças moradoras de favela é a idéia que desenvolve a pesquisa que está na base deste artigo. Como ela percebe seu espaço? Onde brinca? Como constrói sua identidade a partir desse suporte espacial constituído de ruelas e becos? O objetivo do presente trabalho é demonstrar a complexidade de usos nos espaços livres da favela a partir das intervenções das crianças em seu próprio processo de desenvolvimento, ao adotarem determinados locais da favela como lugares de brincadeiras. A favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, é nosso estudo de caso. A investigação parte de dados coletados em conversas informais, fotografias e desenhos de crianças, orientando-se como uma pesquisa qualitativa e participativa, fundamentada nos estudos de Tuan, Fischer e Morin. Analisamos as brincadeiras que se apropriam dos espaços livres da favela, transformando-os em espaços de afetividade, reorganizando os usos do lugar. Admitimos tais interações como parte constitutiva da identidade do sujeito/criança – lugar/favela, a partir do momento em que a criança se reconhece como parte do meio. Trata-se de um registro de um território urbano peculiar, que encerra práticas sociais e representações mentais construídas por crianças faveladas, que trazem em seus sonhos a imagem do que deve ser, para elas, o mundo urbano.

PALAVRAS-CHAVE: favela, criança, espaço livre, identidade.

Palavras-chave


favela, criança, espaço livre, identidade.

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