Na contramão do apartaide

Frederico de Holanda

Resumo


A literatura tem acentuado o fato de que a distribuição das faixas de renda na cidade está mais relacionada com a inserção dos respectivos poderes aquisitivos na cidade como um todo (por exemplo, acessibilidade, distância do centro etc.) do que com propriedades específicas dos lugares. O ensaio apresenta um estudo de caso que contradiz isso. Como
um todo, a segregação socioespacial no Distrito Federal, Brasil, relaciona-se com propriedades globais da cidade, mas há nichos de famílias pobres morando no coração da metrópole.
Propriedades locais de edifícios e espaços urbanos são importantes demais para ser ignoradas. Oito áreas no Distrito Federal são discutidas, da mais rica à mais pobre da capital
brasileira. Utilizam-se dados de setores censitários para classificar os estratos de renda em cinco níveis. Mostra-se como esses níveis mudam fortemente de acordo com os respectivos tipos edilícios e de espaços urbanos, independentemente da distância ao centro urbano. Comenta-se como essas descobertas são utilizadas pelos estudantes para projetar novos bairros, de maneira a se atingir um maior equilíbrio entre poderes aquisitivos nesses lugares. Espera-se que tais descobertas embasem políticas habitacionais e urbanísticas do governo local de maneira a direcionar a configuração da cidade para uma situação
diferente da perversa segregação socioespacial que temos hoje.
PALAVRAS-CHAVE: Brasília, segregação socioespacial, níveis de renda.

Palavras-chave


Brasília, segregação socioespacial, níveis de renda.

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Revista Oculum Ensaios

ISSNe 2318-0919 (eletrônico)
ISSN 1519-7727 (impresso)

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