Intervenções psicológicas com famílias de bebês prematuros em Unidade de Terapia Intensiva neonatal

Ana Paula Magosso CAVAGGIONI, Michelle Cristine TOMAZ, Miria BENINCASA

Resumo


Apesar das taxas atuais de sobrevivência dos bebês prematuros excederem os 85%, estima-se que 50% a 70% dos recém-nascidos pré-termo ou com baixo peso desenvolvem disfunções cognitivas e comportamentais bem como atrasos no desenvolvimento socioemocional, motor e linguístico, que persistem até a vida adulta e impactam de forma significativa o vertiginoso aumento da incidência de transtornos psicopatológicos da infância na atualidade. A Organização Mundial da Saúde estima que 15% a 20% das crianças que frequentam consultas pediátricas de rotina apresentam um diagnóstico psicopatológico. É imprescindível o desenvolvimento de intervenções voltadas às necessidades psicossociais dos bebês pré-termo e seus pais, prevenindo interferências nas interações estabelecidas entre eles, fundamentais para a instauração do processo de constituição do sujeito e organizadoras do desenvolvimento das funções orgânicas e instrumentais do bebê. Este artigo apresenta uma revisão da literatura científica produzida entre 2010 e 2015, mediante consulta às bases de dados MedLine, Index Psi, Lilacs, Ibecs, BDENF, acerca de intervenções, com famílias de neonatos prematuros, que incluam a participação do psicólogo e atuem na promoção e prevenção da saúde mental. Verificou-se um número extremamente reduzido de intervenções familiares dessa natureza, retratando o predomínio do reconhecimento da importância do desenvolvimento biológico e comportamental, em detrimento do desenvolvimento psíquico.


Palavras-chave


Desenvolvimento infantil. Nascimento prematuro. Neonatologia. Promoção da saúde. Psicologia.

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DOI: https://doi.org/10.24220/2318-0897v26n3a3873

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Revista de Ciências Médicas

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