A importância da espiritualidade na dinâmica do novo paradigma do cuidar

António Jácomo

Resumo


O artigo parte da convicção de que a espiritualidade é um conceito universal mas, ao mesmo tempo, profundamente pessoal e individual; vai além das noções formais de ritual ou prática religiosa para abarcar o ser único de cada indivíduo. O modelo biomédico, que tem sido o mais divulgado e dominante na sociedade contemporânea, está focalizado na doença, enquanto o antropológico, como o próprio nome indica, se encontra centrado na pessoa doente. Perante a mudança de paradigma, os desafios globais que impactarão a saúde no futuro próximo podem ser apresentados no âmbito conceptual, organizacional, prático e ético. Esta mudança implica novas posturas na dinâmica dos desafios da nova dimensão da espiritualidade em cuidados da saúde. No âmbito destes desafios, o artigo salienta 5 posturas: Atenção ao modo de cuidar, do seu significado à sua expressão; Consciência de que a abordagem do sofrimento não se sobrepõe, nem metodológica nem operacionalmente, à abordagem dedicada à dor; Um paradigma de comunicação com o doente que contemple a disposição de escuta ativa; Tratamento eticamente correto do doente; Vivência da dimensão da sua religiosidade. Em conclusão são apresentadas duas formas de promover a “arte” da humanização: Ouvir: Este ato de ouvir, de se interessar pelo outro e de aprender dele é o que humaniza o médico; Reforço dos ‘princípios básicos de convivência’. Dentre estes princípios salientamos a unidade, a compreensão, a liberdade, a sensibilidade como o barômetro de medição da dignidade do cuidar.

 

Palavras-chave


Comunicação. Cuidados de saúde. Dignidade. Fé. Modelo antropológico. Sensibilidade.

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DOI: https://doi.org/10.24220/2525-9180v3n22018a4439

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