Elementos sócio-teológicos para afirmar as religiões como caminhos de paz: o espírito da Populorum Progressio no pontificado de Francisco

Elias Wolff

Resumo


Aos 50 anos da encíclica Populorum Progressio, é importante verificar como sua proposta continua vigente para a humanidade em nossos dias, sobretudo no mundo globalizado que apresenta novos desafios para as relações de justiça entre os povos. Como situam-se as religiões nesse contexto? Verifica-se ambiguidades: as religiões podem ser caminhos para a paz, mas, também, legitimação de situações de violência. Para termos paz no mundo, urge humanizar não apenas as culturas dos povos, mas também as suas religiões. Para isso é preciso identificar quando, onde e porque pode haver o vínculo entre violência e sagrado contra os processos de paz. Então é urgente rever as doutrinas, estruturas e práticas religiosas, reconstruindo os sistemas religiosos como caminhos para a paz. É o que propõe o papa Francisco ao exortar para uma “cultura do encontro” e do “diálogo”. Assim, as religiões tornam-se meios de vivificação do social, vinculando fé e ética nas iniciativas de diálogo e de cooperação que afirmam a fraternidade universal. É nesse horizonte que se legitimam os esforços pelo “desenvolvimento dos povos”.


Palavras-chave


Justiça e paz. Papa Francisco. Populorum Progressio. Religiões.

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DOI: https://doi.org/10.24220/2525-9180v3n12018a4304

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